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sábado, 11 de janeiro de 2020

[LIVRO] O Verão Que Mudou Minha Vida - Jenny Han

Quero confessar que não tenho o hábito de ler sinopses, mas estava buscando uma leitura leve e rápida, daquelas divertidas que te prendem até o último suspiro. Lembrei que a Editora Intrínseca recentemente lançou uma coleção com capas divertidas, com conchas e títulos que remetiam a férias e praia, as imagens me conquistaram e tinha tudo para ser uma leitura leve. Achei a edição que a Editora Record tinha lançado em 2011, a capa era bem sem graça e repetitiva, mas a nova versão já tinha me conquistado, mesmo sem eu saber do que o enredo se tratava.

A vida de Belly era marcada pelos verões, tudo o que acontecia entre os meses de junho e agosto tinha um toque de magia, quase um sonho. Cousins Beach era o destino de sempre, a casa de praia da Susannah, a melhor amiga de sua mãe, presente em todos os momentos e dona dos melhores conselhos.

Belly estava prestes a completar 16 anos e seu corpo já parecia de adulta, motivo que fez com que ela acreditasse que finalmente ia ser incluída nas brincadeiras dos meninos, mas Steve, seu irmão mais velho, sempre ia vê-la como uma criança birrenta, Jeremiah e Conrad, filhos de Susannah, a tratavam como a irmã caçula que fazia drama quando não tinha seus desejos atendidos, apesar de terem notado o quanto ela tinha crescido naquele último ano e que não era mais uma menina.

Steve é aqueles irmãos chatos que tudo é motivo de zoação, aproveita qualquer oportunidade para tirar Belly do sério e atrapalhar seus planos. Conrad é do tipo que afasta as pessoas, egoísta, grosseiro, mas que tem um charme quase que irresistível, sempre faz sucesso entre as mulheres, inclusive com Belly, que é apaixonada por ele desde os 10 anos, mas sempre decepciona. Jeremiah com certeza é o meu preferido entre os garotos, ele é leve, brincalhão, cuidadoso, mas devido seu jeito divertido, as pessoas acabam não levando ele tão a sério.

Durante um mergulho na piscina e outro, Belly relembra fatos que aconteceram nos verões passados, a conturbada e estressante visita de Taylor, sua melhor amiga, os filmes que assistiu com os garotos, os passeios no shopping com Susannah e Laurel, quando Jeremiah ensinou a dirigir, quando se apaixonou por Conrad e até mesmo quando menstruou pela primeira vez. O verão era um momento mágico e deveria ser preservado.

Podemos dizer que Belly, basicamente, reclama o tempo todo que está sozinha, os meninos não a convidam para nada, Susannah e Laurel estão sempre passeando ou conversando no quarto. Ela não conhece ninguém na cidade e não se esforça para conhecer, ela só reclama e se comporta com uma criança birrenta que ninguém faz o que ela deseja.

O enredo é leve e divertido, aqueles dramalhões de adolescente, a escrita de Jenny Han te envolve como se você fosse parte do enredo, me senti sentada em uma das espreguiçadeiras na beira da piscina mandando Belly deixar de ser tão infantil. A relação de Suzannah e Laurel é invejável, além da confiança, elas sabem que podem confiar os filhos uma a outra, mesmo quando não for mais possível estar presente.

Os meninos, Jeremiah e Conrad, são um caso a parte, eles estão naquela idade que tudo parece uma piada ou incomodo demais, nada passa desapercebido e tudo fazem um drama, além, claro, do turbilhão de emoções que eles estavam enfrentando e tinham que fingir que nada sabiam, mas como fingir sobre algo tão grave? No decorrer que você vai entendendo o que está se passando com eles e o quanto aquilo tudo esta afetando a vida deles, é possível compreender o porque se comportam assim e como enfrentam a vida de formas diferentes, por enquanto um fica com raiva do mundo, o outro só quer ter leveza para enfrentar os problemas.

Sim, eu estava buscando um livro leve e divertido, encontrei um enredo envolvente e que me fez passar os últimos capítulos chorando, assim como tem personagens chatinhos como Belly e Steve, tem uns que são encantadores como Susannah e Jeremiah, que te deixam com o coração na mão quando acontece algo com eles. RECOMENDO fazer essa viagem para Cousins Beach e se perder um pouco nesses dramas de verão, que as vezes podem ir para a vida. Música que Belly, Steve e Laurel escutaram no carro viajando para O Verão Que Mudou Minha Vida.



sexta-feira, 11 de outubro de 2019

[LIVRO] O Diabo Veio Para o Natal - Roxane Norris

o diabo veio para o natal1

Calma! Senta aqui do meu lado e vem comer uma fatia de bolo fofo com calda de chocolate, temos muito o que conversar sobre o milionário Miguel Allende, empresário do ramo imobiliário que não consegue mais vê sentido no Natal, prefere passar a data trancado no escritório trabalhando e esquecer que aquela época existe, mas o que ele não esperava é que uma doce diabinha ia trazer mais magia para a sua vida.

Júlia foi convidada para trabalhar com o misterioso Miguel Allende, a oportunidade perfeita para salvar a agência das irmãs Luckheart, o único problema é que ela não sabia absolutamente nada sobre o seu novo empregador. Apesar de famoso, ele era extremamente reservado e não gostava de aparecer na mídia, então ela só sabia o básico, que ele era rico e morava na Espanha.

o diabo veio para o natal2

O voo foi bem turbulento, após misturar remédio com bebida alcoólica sua imaginação ficou bastante fértil, chegando a afetar outros passageiros e a tripulação que tentava solucionar o caso. Já no local marcado para conhecer o Sr. Allende, uma pousada próxima a estação de esqui, ela percebeu que sua mala foi trocada e estava despreparada para aquele encontro, precisava de roupas apropriadas urgente. 

Alena é uma doce garotinha que passou por alguns traumas, o que resultou em uma dificuldade de socializar com outras pessoas, mas foi bem receptiva quando avistou Júlia experimentando botas naquela loja, quem sabe o coração delas já sabia o que ia acontecer. A reunião aconteceu a noite e o empregador não gostou do que ouviu de Júlia, ela tinha que se esforçar bem mais do que aquilo para conquistar a confiança da família Allende.

o diabo veio para o natal3

No dia seguinte, uma nevasca atingiu a cidade fazendo com que ela e todos os hóspedes ficassem ilhados dentro da pousada, foi quando Júlia conheceu Lúcia, uma doce senhora que sabia todas as histórias e costumes do lugar. Os hóspedes puderam ajudar a decorar a árvore de natal e Júlia ajudou a fazer os Torrones, tradição do lugar, entre uma risada e outra Lúcia conseguia tocar seu coração com os seus despretensiosos conselhos amorosos.

Em meio a tantas tradições e histórias, o homem que tinha vindo buscar Júlia na pousada continuava esperando o tempo melhorar para levá-la a casa da família Allende. Entre conversas e confissões, ela conseguiu entender o que tinha passado por aquela família e o motivo de seu novo empregador ter tanta repulsa pela data, com certeza algo precisava ser feito por aquela família e ela estava disposta a recuperar essa magia.

O conto O Diabo Veio Para o Natal é a primeira história da trilogia das irmãs Luckheart, o enredo é curtinho e bem dinâmico, minha única ressalva é que achei alguns pontos soltos e forçados, mas compreendo por se tratar de um conto. A escrita é bem fluida e envolvente como as histórias da Roxane Norris, o romance é um clichê, mas daqueles que a gente se apaixona com os personagens. Recomendo para quem gosta de histórias leves.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

[LIVRO] Quando Fernando Morreu - Beatriz Lúcio

Quando Fernando Morreu 01

Necessário! Aliás, não só esse conto, mas todos os enredos do projeto Todas as Letras do Arco-Iris, organizado por Maria Freitas e lançado pela Editora Resistência. É um soco no estômago tantas histórias de libertação, seja de suas próprias entranhas, dos julgamentos alheios, dos rótulos. Em meio a tanta intolerância e episódios inaceitáveis, tenho que admitir que a censura vivenciada na Bienal do Rio só abriu portas para que mais obras como essa ganhassem um lugar especial no nosso coração.

Fernando era muito mais que um marido, um companheiro, um amigo, um amante, era a salvação de uma vida de julgamentos, a prova que Virgínia finalmente tinha se decidido e sua família agora podia ficar em paz. Foram 20 anos de um relacionamento maravilhoso, cheio de muito amor e hétero (como sua família aprovava), mas com a morte de Fernando decorrente de um câncer, tudo desmoronou.

Quando Fernando Morreu 02

Virgínia entrou em depressão e perdeu o controle de sua vida, passava o tempo todo trancada em casa sem vontade de viver, abandonou a loja de eletrônicos que era sócia e se afundou na tristeza. Sua filha Letícia não suportava mais a situação da mãe e foi morar com a avó materna, foi quando Virgínia viu que precisava agir. Antigos medos e angustias começaram a lhe assombrar novamente, entre eles os novos relacionamentos.

Antes de Fernando, Virgínia se relacionava com homens e mulheres, o que era inaceitável para a sua família, diziam que ela era indecisa, promiscua e que não passava confiança, afinal ela podia trair com ambos os sexos. Casar com Fernando foi se libertar de todas as críticas e julgamentos, mas agora com a sua partida, ia ter que conviver novamente com todos os julgamentos e o medo de não ser aceita.

Quando Fernando Morreu 03

O conto retrata o conflito de pessoas bissexuais, a necessidade de se enquadrar em um rótulo que seja aceito pela sociedade, que seja de alguma forma compreendido, mesmo que minimamente. A autora, Beatriz Lúcio, consegue passar do luto a vaidade da conquista, da liberdade dos desejos ao julgamento dos mesmos. O conflito e as dores não são aprofundados, o que é compreensível quando falamos de um conto, mas é facilmente possível preencher as lacunas com o que é dito e sentido por Virgínia. Precisamos ser mais empáticos! Precisamos ser mais tolerantes!

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

[EVENTO] XIII Bienal do Livro do Ceará - Programação


Nessa sexta-feira, dia 16 de agosto, começa a XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, com a curadoria da escritora Ana Miranda e dos escritores e professores Inês Cardoso e Carlos Vasconcelos, coordenação de Goreth Albuquerque. Durante os dez dias de programação gratuita, o evento contará com diversos lançamentos, rodas de conversa, oficinas, palestras, saraus, contação de histórias, entre outras atrações literárias com a participação de artistas locais, nacionais e internacionais.

Diferente dos anos anteriores, que eram escolhidos escritores para serem homenageados, nessa edição escolheram três obras para serem belissimamente aclamadas: A Casa, da cearense Natércia Campos; Terra Sonâmbula, do moçambicano Mia Couto; e Lavoura Arcaica, do escritor paulista vencedor do prêmio Camões Raduan Nassar. O tema escolhido para essa edição foi As Cidades e Os Livros.

A atração acontece entre os dias 16 e 25 de agosto, no Centro de Eventos do Ceará. A programação oficial já está disponível no site do evento, mas é importante observar as ações paralelas ministradas pelos expositores e pelas instituições parceiras. Separamos algumas atrações que estão sendo ansiosamente aguardadas por nos e que prometem ser impactantes, RECOMENDO! Quem encontrar com a gente pela Bienal, estamos levando marcadores e bottons para distribuir, é só chamar.


17 de agosto (sábado)

14h às 16h30 - ECONOMIA COLABORATIVA, A SUSTENTABILIDADE DE PEQUENAS E MÉDIAS EDITORAS E LIVRARIAS 
Anna Dantes – Dantes Editora (RJ), Guarany Oliveira – Livraria Lamarca (CE), Rosel Soares – Casarão do verbo (SP), Simone Paulino – Editora Nós/Paratodexs (SP)
Mediação: Talles Azigon – Editora SubStânsia (CE)

14h30 às 16h – LIVROS REVOLUCIONÁRIO – PRECONCEITO LINGUÍSTICO 
Marcos Bagno (DF) 
Mediação: Eulália Leurquin (CE)

15h às 16h30 - A MULHER E A CIDADE 
Aila Sampaio (CE), Celeste Cordeiro (CE), Juçara Rocha Soares Mapurunga (CE), Juliana Damasceno Pontes, Grace Troccoli Vitorino, Xênia Diógenes Benfatti 
Mediação: Hugo Nogueira 

19h – Lançamento MÁRIO MAGALHÃES
Bete Jaguaribe


18 de agosto (domingo)

10h às 12h30 - A INQUIETUDE DO MERCADO: DAS TECNOLOGIAS EMERGENTES ÀS ANTIGAS FORMAS DE PRODUÇÃO
Alexandre Martins Fontes – Editora Martins Fontes (SP) e Marcelo Levy – Editora Todavia (SP) Mediação: Mileide Flores (CE)

14h - APRENDER A ESCREVER NA INTERNET
Escambau (CE) 

16h – OS NOVOS: CRIAÇÃO E EDIÇÃO/PUBLICAÇÃO
Luciana VillasBoas (RJ) e Ana Miranda (CE)
Mediação: Jayson Aguiar (CE)

16h - CELULAR, MEMES E REDES SOCIAIS PARA CONTAR HISTÓRIAS 
Eduardo Porto (CE), Rodrigo Passolargo (CE) e Ítalo Furtado (CE)
Mediação: Rildon Oliver (CE)

16h30 às 18h - O DESIGN EDITORIAL: MÍDIAS IMPRESSAS E DIGITAIS
Deglaucy Jorge (CE), Denise de Castro – Editora Senac (CE), Felipe Góes (CE) e Amaurício Cortez – Fundação Demócrito Rocha (CE) 
Mediação: Camila Barros – UFC (CE)


19 de agosto (segunda-feira)

10h às 12h30 - ENTRE O NORDESTE, NO BRASIL, NO MUNDO
Wellington de Melo – Cepe Editora (PE), Abdulai Silá – Kuw Si Mon Editora (GuineBissau) e Albanisa Dummar – Armazém da Cultura (CE) 
Mediação: Simone Paulino – Editora Nós (SP)

16h30 às 18h - DO LIVRO ÀS TELAS - OBRAS LITERÁRIAS E O MERCADO AUDIOVISUAL 
Samuel Brasileiro (CE), Iris Sodré (CE), Cecília Rabêlo (CE), Paulo Amoreira (CE), George Frota (CE)
Mediação: Aíla Sampaio (CE)


18h – Lançamento RESISTÊNCIA , ROTA DE FUGA E REFÚGIO: O CARIRI CEARENSE NA DITADURA MILITAR
Cícero Aurelisnor Matias Simão (CE) 

20h - Lançamento MEMÓRIAS DO CEGO ADERALDO e DONA CIÇA: O BARRO DAS MARAVILHAS e MATILDE, A LAGARTA PINTADA
Rosemberg Cariry (CE)

20h – AS ALDEIAS DO SILÊNCIO
Frei Betto (SP) e Socorro Acioli (CE).
Mediação: Eleuda Carvalho (RJ) 


20 de agosto (terça-feira)

14h30 às 15h30 - LEITURA DE IMAGENS DA CIDADE
Gerson Linhares e o Bode Ioiô (CE)

16h30 às 18h - A LEITURA DIGITAL: O LIVRO NA REDE 
João Leal (RJ) e Letícia Reina (RJ)
Mediação: Isabel Costa (CE)

19h - CAFÉ LITERÁRIO  
Babi Dewet (SP) e Isabel Costa (CE)

19h30 – Lançamento RACISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL
Bernadete de L. R. Beserra (CE) e Rémi Fernand Lavergne (Lyon, França) 

20h – VIOLÊNCIA E VERTIGEM
Dimitri Tulio (CE) e Daniel Munduruku (SP). 
Mediação: Regina Machado (CE)


21 de agosto (quarta-feira)

16h - LITERATURA, HQS, CINEMA E JOGOS 
Rodrigo Passolargo (CE), Miguel Felício (CE), Ítalo Furtado (CE) e Kami Girão (CE)

17h - ERA UMA VEZ UMA MULHER QUE QUERIA FALAR DE COLETIVOS...
Lola Aronovich (CE) e Maria da Penha (CE)
Mediação: Vânia Vasconcelos (CE) 

18h – 20 FILMES NA CENA SOCIAL
Jânio Nunes Vidal, Rozimar Rocha, Júlia Kilme e outros

19h - CAFÉ LITERÁRIO MULHER DE PALAVRA
Nina Rizzi (CE), Ryane Leão (SP) 
Mediação: Jéssica Balbino (CE) 


22 de agosto (quinta-feira)

16h - CHÁ COM GLITTER: PERSONAGENS LGBTQI+ NA LITERATURA MUNDIAL
José Henrique de Almeida Cavalcante (CE), Leonardo da Silva Leal (CE), Kimblia Crislaine Cavalcante Nogueira (CE) e Antônio Luciano Morais Melo Filho (CE) 

16h – Lançamento O GERENTE ENDOIDOU: UMA CONVERSA SOBRE A PUBLICIDADE E A PROPAGANDA CEARENSES
Gilmar de Carvalho (CE)

19h30 – Lançamento TODO AMOR É FODA: O AMOR NA ERA AS REDES SOCIAIS
William Kokubun (SP) 

20h – DEVANEIOS: A ARTE DE ANDAR NAS RUA DE FORTALEZA
Fausto Nilo (CE)

23 de agosto (sexta-feira)

13h  - EMPREENDEDORISMO DA GERAÇÃO DE A A Z
Maria Sueli Lopes Vasconcelos (CE)

15h - POESIA NA CONTRAMÃO: AS RUAS NA VOZ OU A VOZ NAS RUAS 
Rômulo Silva (CE) e Nina Rizzi (CE) 
Mediação: Tino Freitas (CE)

15h20 - Lançamento A COMÉDIA DIVINA DE BELCHIOR, METAMORFOSE DE MÁRIO GOMES
Lucarocas (CE) 

19h - LITERATURA COMO VISIBILIDADE TRANS
Amara Moira (SP) e Ayla Nobre (CE) 

19h - ILUSTRAÇÃO E NEGRITUDE
Evelyn Queiróz (NegaHamburguer) (SP) e Cau Gomez (BA) 
Mediação: Eduardo Azevedo (CE) e Rafael Limaverde (CE)


24 de agosto (sábado)

13h30 às 16h - A VIDA É UM SOM, A MÚSICA UM SONHO 
Mestre Macaúba – Chorinho (CE), Mestre Aécio de Zaira – Luteria (CE) e Mestre Expedito Caboco – Banda Cabaçal (CE)
Mediação: Pingo de Fortaleza(CE) 

15h – ATENÇÃO NO PERCURSO: ESTAMOS EM OBRAS 
Bel Santos (SP) e Amara Moira (SP)
Mediação: Argentina Castro (CE)

16h - Lançamento QUANDO O AMOR É DE GRAÇA!
Raymundo Netto (CE) 

16h – A GEOGRAFIA DA FELICIDADE
Ivan Wolffers (Amsterdam) e Álvaro Medeiro Leite (CE). 
Mediação: Jesus Irajacy (CE) 

18h – INSUBMISSAS MEMÓRIAS
Conceição Evaristo (RJ) e Vânia Vasconcelos (BA).
Mediação: Marília Lovatel (CE)

18h - Lançamento A ESTRANHA; VIAGEM DE NÓS E DE OUTROS DIAS; ÚLTIMO ENSAIO
Eduardo Guerra, Lara Rovere, Vanessa Passos, Zeca Lemos, Mônica Silveira, Célia Oliveira, Sônia Nogueira, Gevandir Muniz, Nirvanda Medeiros 

19h - MULHERES FEMINISTAS ILUSTRADORAS 
Evelyn Queiróz (NegaHamburguer) (SP), Fernanda Meireles (CE) e Raisa Cristina (CE)
Mediação: Ana Miranda (CE) 

25 de agosto (domingo)

11h - RESTAURO E CONSERVAÇÃO DE LIVROS
Francisco Gomes

16h - A TRADIÇÃO DOS GRUPOS NA LITERATURA CEARENSE
Batista de Lima, Aila Sampaio e Hermínia Lima 
Mediação: Booktuber Zeca Lemos 

16h – CALIGRAFIAS FEMININAS
Marion Bloem (Amsterdam) e Amara Moira (SP)
Mediação: Lôla Aronovich (CE) 

18h – LEITURA E VIDA
Bel Santos (SP) e Mileide Flores (CE)
Mediação: Sarah Diva (CE) 

19h - ILUSTRAÇÃO E CENSURA 
Alexandre Beck - Armandinho (SC) e Ivan Cosenza de Souza (RJ) 
Mediação: Eduardo Azevedo (CE) e Rafael Limaverde (CE) 

20h – IRMÃOS ANICETO, MARIMBANDA E CARLOS MALTA

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

[LIVRO] Eu Vejo Kate: O Despertar de um Assassino - Cláudia Lemes

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Tenho que dizer que fui sugada pela narrativa e só soltei quando terminei. Kate é uma escritora de Blessfield, interior dos EUA, que tem a missão de contar a história de Nathan Bardel, um serial killer de sua cidade natal. Ele matou e estuprou 12 mulheres ao som de música clássica, afinal, cada vítima merecia uma sinfonia, foi preso e condenado a morte, a publicação ia marcar o aniversário de um ano de sua execução.

Kate precisava entender como um morador da sua cidade natal se transformou em alguém com a mente tão doentia, capaz de torturar e humilhar tantas mulheres que não tinham feito nada contra ele. Entender sua mente era preciso se aproximar cada vez mais de quem ele era, detalhar o passo a passo de cada crime, confrontar o habitat de cada vítima, presenciar abusos, entender o que ele sentia, criar uma lógica para a sua motivação.

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Após ter acesso ao inquérito e entrevistar os investigadores que trabalharam no caso, Kate é intimada por seus editores a deixar o projeto de lado e focar em seu romance, não querem mais se envolver com os crimes de Bardel, mas se o caso já estava encerrado e o assassino morto, o que poderia impedir que fosse lançado um livro com os detalhes da investigação, algo estava errado naquela história.

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Assistindo a tudo, Nathan Bardel acompanhava todos os passos de Kate, o que ela pensava e sentia, o quão obcecada ela ficou para descobrir o que de grave estava encoberto naquela investigação. Ela não podia vê-lo, mas a alma de Bardel estava ao seu lado, deixando o ambiente cada vez mais pesado e tenso, ele também não sabia o que estava fazendo ali, mas estava gostando de ver seus crimes sendo detalhados.

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Ryan Owen é o agente do FBI responsável por capturar Bardel, o profiler que traçou o perfil do assassino e conseguiu chegar até ele. Após o caso, sua vida saiu dos eixos, separou de sua esposa e se afastou da polícia, vive em uma casa isolado do mundo. Ele é a peça fundamental para Kate entender o que se passava na cabeça de Bardel, foi ele quem colheu os depoimentos do assassino.

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Kate é do tipo que aceita migalhas, parece durona, mas está em frangalhos, tem um relacionamento abusivo, uma relação desestruturada com a família, cheia de vícios e gosta de se torturar. Bartel não sabe o que está fazendo ali, mas de alguma forma, revisitar seu passado e ter uma visão mais ampla dos fatos, está tornando tudo mais complexo. Ryan é assustadoramente inteligente e perspicaz, sabe quando estão lhe engando, ele consegue ler a verdade no rosto de quem quer que seja, mas é extremamente autodestrutivo e adora se torturar.

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O enredo é intenso e as cenas são bastante pesadas, os crimes tem uma dose de crueldade assustadora, que o leitor precisa ter um estômago forte para aguentar tudo. A narrativa é feita por diversos pontos de vista, temos uma noção de como cada um se sente diante de tanta crueldade e como cada um reage diante daquilo, todos os personagens saem de sua zona de equilíbrio para abraçar o que eles tem de pior, conhecer o lado mais obscuro do seu ser e não ter receio disso.

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A autora, Cláudia Lemes, escreveu tudo em sete dias, em um momento de frenesi, clinicamente deprimida, de luto e puta da vida com o mundo. Essa intensidade de sentimentos é perceptível na trama, tudo é muito denso e palpável, talvez foi a cereja do bolo na trama, a tensão é real, por isso o leitor consegue se envolver tanto com o enredo e muitas vezes o ódio parece que atravessa o espectador como um convite por vingança, sede de sangue.

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Eu Vejo Kate foi escrito originalmente em inglês, a autora é brasileira, mas já morou na Califórnia e no Cairo, por isso, não se assuste quando se deparar com ambientes e nomes estrangeiros. O enredo é muito bem escrito e estruturado, os personagens são complexos e verdadeiros, não são caricatos, o leitor sente a transição de emoções. O projeto gráfico está fantástico, Marina Avila maravilhosa como sempre, trabalho minucioso e cheio de detalhes, sou fã! Repararam no olho claro de Kate?! RECOMENDO imensamente para quem gosta de um bom suspense. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

[LIVRO] Todas as Noites que Nunca Aconteceram - Giovana Taveira

ANJO é o caralho! Desde quando iniciei a leitura do livro Todas as Noites que Nunca Aconteceram eu esbravejava sempre que Gabe chamava Sarah de anjo, o mocinho bonzinho demais, preocupado demais, atento demais, romântico demais, tudo demais além da conta do confiável. Quando a esmola é demais, todo santo desconfia. Além da minha tolerância a doçura exacerbada, eu acabava, involuntariamente, fazendo um paralelo com o caso do médico (Gabe também é médico) do interior do Ceará que estuprava as pacientes, virou até manchete no Fantástico, mas, como sou cearense, o caso já vinha sendo noticiado nos programas locais há muito tempo e sempre que Gabe chamava Sarah de anjo, eu lembrava do tal médico chamando as pacientes de bebê antes do estupro. Aquela máscara de doçura para esconder sua verdadeira face do mal.

Sarah é a melhor costureira da região, pelo menos é o que dizem, sócia de uma loja de costura, ela se dedicava ao máximo no aperfeiçoamento de sua profissão, fazia cursos, participava de eventos, tudo para de fato ser a melhor. No momento seu foco era estritamente profissional, saia com amigos por diversão, mas não buscava nada sério, até mesmo quando Gabriel entrou na sua vida, um homem de tirar o fôlego, isso temos que concordar, que adorava ir na loja flertar com Sarah.

Em um segundo Sarah estava deixando o lixo do lado de fora da loja, quando esbarrou com o Dr. Gabriel, oncologista, por acidente Sarah cortou a mão e prontamente Gabriel se prontificou em ajudar no curativo, flertes e mais risadinhas, mas naquele momento um relacionamento sério era uma realidade bem distante. No segundo seguinte, Sarah está acordando em uma casa desconhecida, em outro país e, surpreendentemente, casada com Gabe, o tal Gabriel.

Na noite anterior, Sarah tinha caído da escada e batido a cabeça, ocasionando um lapso de memória, ela não conseguia lembrar dos últimos anos de sua vida, mais precisamente dos últimos 4 anos, tempo em que se relacionou com Gabriel, se casou, se mudou para Argentina e se mudou para uma casa de vidro isolada do mundo. Tinha um atelie particular lindo, isso é verdade, um sonho para qualquer costureira, mas algo estava muito errado com todas as decisões que aquela Sarah tomou nesses últimos 4 anos. 

Aos poucos, ela foi aceitando sua nova condição e buscando entender quem era aquela nova Sarah, quais seus anseios e desejos, o que ela sonhava, porque tinha tomado decisões tão radicais de se isolar do mundo e viver sem tecnologia. Gabe é um marido espetacular, doce e compreensivo, respeitava o espaço dela e estava sempre disposto a esclarecer qualquer dúvida que ela tivesse, ou contar inúmeras vezes todas as histórias que eles já viveram durante aquele tempo.

Apesar da vida maravilhosa que ela disponha e o tal marido fantástico, algo ainda não fazia sentido, aquela definitivamente não era ela e Gabe, as vezes, era possessivo demais, protetor demais, sufocava demais, mas doce demais, impossível questionar um homem tão extraordinário como ele. Impossível! Porém, uma conversa no banheiro, uma ida a feira, uma visita inesperada, a verdade foi vindo a tona, as peças que não encaixavam agora tinham um motivo para não encaixar e a Sarah ia descobrir a verdade sobre tudo que estava acontecendo na sua vida.

O enredo constrói um leve terror psicológico, você sempre fica esperando alguém atrás da porta, ou observando pelo vidro, ou um rompante de raiva inesperado, ou uma vacilada nas palavras. A autora, Giovana Taveira, foi muito feliz na construção da história, primeiro o leitor fica apaixonado por Gabe, um homem doce demais que está ali para ajudar e fazer todas as vontades de sua amada. No segundo momento a verdade vai surgindo e o leitor vai ficando em dúvida sobre a real intensão do romance, até que chegamos ao terceiro momento e sim, fomos tapeados, Gabe ri da nossa cara. 

A leitura é envolvente, o início é um pouco meloso demais, mas necessário para a construção dos personagens, a medida que a trama vai se desenrolando e o castelo vai ruindo o leitor é sugado pela expectativa das próximas descobertas e a vontade é de vasculhar todas as gavetas da casa, arrombar portas e pular muros. O final é simplesmente fantástico, Gabe parece que está na nossa frente relatando sua versão e rindo da nossa cara. Sarah tem reações reais de medos e incertezas, as vezes o que é obvio no campo racional, é um mar de escuridão no campo emocional.

Relacionamentos abusivos devem ser exaustivamente debatidos nos livros, nas séries, nas rodas de conversas, em todos os cantos possíveis, para que cada vez mais pessoas consigam identificar e se fortalecer diante dessas situações, pois, infelizmente, não estamos blindados a situações como essas. A Giovana foi muito feliz em sua abordagem mostrando toda a ilusão daquele amor doentio, o medo, a descoberta, o sentimento de culpa da vítima, as dúvidas, os receios, os traumas. Parabéns pelo belíssimo trabalho, que venha mais, que venha muito mais!

NUNCA ROMANTIZE UM ABUSO!

quarta-feira, 3 de julho de 2019

[Cola&Bora] Lanço Celestino | Mulheres vs. Monstros

O Cola&Bora de hoje vem com um gostinho de retorno, o blog que andava paradinho, quase sumido, vem cantando um chamado cada vez mais alto e ensurdecedor, daqueles que fica impossível de não escutar e ceder. Depois de muito pensar e refletir sobre esse retorno, estamos aqui e pretendemos ficar, mas sem promessas, apenas de forma leve e fluida. E porque não voltar exaltando algumas obras que estão sendo financiadas e precisando de um apoio. Escolhi alguns projetos de artistas que eu acompanho há algum tempo, trabalhos que merecem o nosso apoio e sopros de sucesso.


Considerado o projeto mais desafiador e ambicioso do ilustrador Gabriel Jardim, o quadrinho Lanço Celestino foi planejado para ser uma publicação impressa com formato widescreen, 23x15cm, uma forma de explorar melhor os cenários intergaláticos e enxugar os custos com a gráfica. A publicação contará ainda com capa dura e 192 páginas.

O enredo é protagonizado por Joalysson, um Uber espacial do planeta Sertão que trabalha levando as pessoas de um planeta a outra, de uma estação espacial a outra. Ao receber o chamado da Capitã Hass, líder da Tropa 94 da Galáxia Titan, Joalysson vai se meter em uma perigosa missão intergalática. Além do quadrinho os apoiadores poderão receber marcadores de páginas, adesivos e até a versão do Qeï em crochê.

Com certeza você já deve ter cruzado com um dos desenhos do Gabriel, recentemente ele lançou uma série de ilustrações da Turma do Morro, uma releitura da Turma da Mônica, porém com cenários e características das comunidades do Rio de Janeiro. E por aqui rola uma torcida forte para ver um crossover dessa galera se encontrando no Limoeiro. 




A antologia Mulheres vs. Monstros reúne uma série de contos e artigos escritos por autores que vem se destacando no mercado brasileiro no gênero de fantasia, horror e sci-fi. Os enredos foram inspirados na cultura pop, em clássicos da literatura e do cinema, em quadrinhos e até na mitologia brasileira e grega.

No total, a obra conta com a participação de 11 autores e cada um contribuiu com um conto inédito e original, mais um artigo com relatos pessoais, inspirações, metáforas, sensações e lições. Eles são: Fábio Fernandes, Flávio Karras, Jana Bianchi, Camila Simões, Oscar Nestarez, Larissa Brasil, Tito Prates, Rodrigo Ortiz Vinholo, Clara Madrigano, Duda Falcão, Denise Flaibam e Cláudia Lemes. Projeto gráfico da incrível Marina Ávila com ilustrações do Pestmeester.

Os enredos trazem as lutas das mulheres contra os monstros, que podem ser representados por medos, doenças, pobreza, violência, acidentes, fome, depressão, até o próprio marido e pai. Pode também ir além desse mundo, chegando ao lado obscuro do universo, como ET's e demônios. Enredos elaborados por escritores que estão se destacando na última década e que prometem que as mulheres lutam até o fim.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

[Contos&Fadas] Cinderela


Os Contos de Fadas são narrativas destinadas ao público infantil, que tem o objetivo de trazer alguma lição para as crianças, afastando-as do perigo, usando a metodologia do medo, personificando as ameaças em bruxas, ogros, monstros. Conhecidas por contos exemplares, é possível também observar a valorização da esperteza e do trabalho. Os enredos inicialmente tinham um final triste, mas ao longo dos anos foi transformado no "felizes para sempre".

Cinderela foi escrita por Charles Perrault, publicado em 1697 na coletânea Contos da Mãe Gansa, o enredo foi inspirado nas memórias populares italianas da Gata Borralheira. Além disso, existem relatos da garota que vivia entre as cinzas do fogão na Indochina em 860 a.C., citações sobre na comédia Ulissipo de Jorge Ferreira, em 1546, Portugal. O noivo calçar o pé da noiva é um símbolo jurídico do casamento germânico medieval, uma referência ao sapatinho de cristal.

Como não poderia deixar de ter, Cinderela também tem sua versão pela ótica dos Irmãos Grimm, o enredo é bem parecido com o de Charles, mas no lugar da fada-madrinha a ajuda vem dos pombos e da árvore que nasceu no túmulo de sua mãe, a transformação é orquestrada pela própria menina que cita palavras mágicas. No final, as irmãs malvadas tem os olhos perfurados pelos pombos, as deixando cegas. Ainda existem outras versões que afirmam que a fada madrinha é na verdade o espirito de sua mãe e o vestido é um presente do céu.


O enredo foi um despertar de sonhos para as jovens da idade média, tempo em que para pertencer a nobreza, era preciso nascer com sangue real, mas a personagem mostrou que a ascensão se deu por amor, independente de título. Além do amor, podemos ressaltar que o enredo também fala sobre a recompensa após o sofrimento, a vitória do bem contra o mal, a inveja e, por fim, a justiça.

Cinderela é um dos meus contos de fadas favoritos, talvez por isso eu tenha tido contato com tantas versões sobre a mesma história, mas vale sempre ressaltar que o enredo foi construído em outro século, época em que as mulheres se submetiam a muitas coisas por falta de direitos, mas hoje não precisamos esperar o "príncipe no cavalo branco" para sermos salvas, podemos ir a luta e garantir nossos direitos, somos capazes e fortes para combater a opressão. GO GO!



CINDERELA - Coleção Clássicos Infantis - Editora Moderna
Recontado por Giselda Laporta Nicolelis || Ilustrado por Rogério Borges

A narrativa é feita através de rimas cruzadas, pequenos estrofes com quatro versos musicados, vão dando forma ao enredo. Essa versão é bastante enxuta e não se foca no sofrimento da Cinderela, rapidamente passamos pela morte de seu pai e a sua transformação em Gata Borralheira, logo já temos o rei querendo netos e o príncipe solteiro dando o baile. A madrasta imediatamente proíbe Cinderela de participar do evento, por enquanto suas filhas malvadas brigam pelos vestidos e adornos. Sozinha na cozinha a fada madrinha aparece e a transforma na princesa mais bela, Cinderela vai ao baile e depois foge do príncipe. Doente de amor, o rei manda os arautos irem atrás da donzela que conquistou seu filho, após muitas buscas finalmente acham a menina suja de cinzas. E viveram felizes para sempre! As ilustrações são bem realistas e parecem colagens. A edição ainda traz algumas curiosidades sobre a obra original.

"No tal reino, nunca antes 
tantos sinos repicaram...
Cinderela e o príncipe,
de alegria, até choraram."

segunda-feira, 11 de março de 2019

[LIVRO] O Ratinho, O Morango Vermelho Maduro e O Grande Urso Esfomeado - Don e Audrey Wood

O Grande Urso Esfomeado

O que fazer quando um grande urso faminto sente o cheiro de um morango vermelho maduro que um pequeno roedor acabou de colher? Não adianta correr, ou se esconder, o grande urso faminto vai sentir o cheiro daquele morango vermelho maduro e vai achar o bichinho. Em uma fábula divertida e bem humorada, o enredo traz a história da esperteza dos pequenos contra a força dos gigantes.

Indicado para crianças entre 2 e 7 anos, o narrador tem participação ativa no enredo, ao ver o ratinho com uma escada para colher o morango vermelho maduro, ele começa a relatar a história do grande urso faminto, juntos eles tentam encontrar um meio para que o grande urso faminto não pegue o morango vermelho maduro.

O Grande Urso Esfomeado2

A repetição de frases é uma técnica utilizada na narrativa, o que pode ser usado para auxiliar as crianças que estão em fase de letramento. O narrador ter uma conversa direta com o ratinho, permitindo que os pequenos leitores façam parte da história ativamente, observando as expressões do roedor a cada exclamação de como podem salvar o morango, é possível até criar dinâmicas em que a criança crie novas formas de esconder o morango do grande urso faminto.

O Grande Urso Esfomeado3

O ilustrador Don Wood conseguiu dar vida as expressões e sentimentos do ratinho, com pintura aquarelada, Don conseguiu trazer nostalgia ao enredo, lembrando os velhas fábulas que nossas mães liam ao nos por na cama. A escritora Audrey Wood traz realidade aos diálogos, nos transportando ao cenário em que o ratinho faz a sua colheita. No fim, aprendemos que não devemos ter medo, e sim enfrentar os desafios com soluções criativas. RECOMENDO!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

[COLA&BORA] Saral#2 | Eu vejo Kate

O primeiro COLA&BORA do ano tinha que ser todo especial, escolhi dois projetos de autores que eu acompanho há algum tempo, seja através das mídias, ou em eventos, dois artistas que admiro e que torço muito pelo sucesso em suas carreiras. O primeiro é poeta da terrinha (Fortaleza/CE), produtor cultural e articulador do movimento de todos os livros serem livres. O segundo é uma autora de suspense, daquelas que você lê uma série de elogios sobre e pensa "eu TENHO que ler essa obra". 

LIVRO - SARAL #2


Talles Azigon é poeta, produtor cultural, editor, mediador de leitura e articulador de movimentos que lutam por uma literatura acessível e livre, seja na liberdade do pensamento, seja na liberdade do objeto livro. Em 2017, lançou Saral#1, uma coletânea de poemas sem preço fixo e sem a interferência de editoras, literatura acessível para todos, independente de localidade, ou classe social.

Após muitos pedidos, o projeto ganha uma nova edição, agora as letras de Talles se misturam com as fotografias de Leo Silva, mas a ideia inicial continua a mesma, literatura livre e acessível. Leo é fotografo, videomaker e escritor, gosta de mostrar a grandiosidade do seu bairro, Jangurussu.

Os apoiadores do projeto, além de levarem para casa o livro, vão poder contribuir para a realização de diversos eventos, como um Sarau na Biblioteca Viva e doação de exemplares para o acervo, ação com o poeta Francélio Figueiredo na Livraria Lamarca, bate-papo na Matinê Tem História, entre outras formas de movimentar a cidade e incentivar a literatura local. 




LIVRO - EU VEJO KATE


Conheci o trabalho da Cláudia Lemes depois de lê diversos elogios sobre suas obras, hoje iniciou a campanha de relançamento de Eu Vejo Kate com direito a continuação inédita e projeto editorial da Marina Ávila. O enredo foi escrito em inglês em uma loucura de 7 dias. Lançado em 2014 de forma independente, relançado em 2015 pela Editora Empíreo, o enredo virou assunto entre os apaixonados por thriller e crime scene lovers, ganhando elogios da criminóloga Ilana Casoy.

A publicação está sendo relançada de forma independente, o enredo traz a história de uma escritora obcecada por um assassino em série, um agente do FBI que mergulhou fundo de mais em suas investigações, e um serial killer morto. Cruel. doido e sanguinário são alguns adjetivos que a autora usa para descrever o livro. Cláudia Lemes já publicou Um Martíni com o Diabo e Inferno no Ártico.

Os apoiadores poderão adquirir a duologia, ou apenas um dos livros, além de marcadores, canivetes personalizados, certificado de crime scene lover, canecas e frete grátis. Nas metas estendidas tem a doação de exemplares em bibliotecas públicas, o box pra quem comprou a duologia, aviso de porta. Sem contar que tem a possibilidade de receber os arquivos do FBI, transcrição de entrevistas e trechos de livros escritos pela protagonista.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

[LIVRO] Quero Colo! - Stela Barbieri e Fernando Vilela

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Depois de serem prontamente iludidos, os livros da campanha Leia Para Uma Criança 2018 finalmente saíram da pilha das "próximas leituras" para dos "lidos". As escolhas dos títulos pelo Itaú trazem os sentimentos como ponto em comum, um traz o conforto e proteção de um colo quentinho, o outro traz o conflito de ser contrariado. Hoje vou falar sobre Quero Colo!, próxima segunda do outro espinhento e seus conflitos.

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Quero Colo! veio como uma leitura obrigatória, em tempos que amamentar é um tabu e acolher os filhos quando choram é errado, o enredo retrata os sentimentos de proteção que sentimos ao receber e dar colo a alguém. Seja de proteção, ternura, conforto, o colinho jamais deve entrar em extinção, deve sempre está disponível para quando for solicitado.

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As ilustrações que acompanham cada momento do enredo são riquíssimas em detalhes e diversidade, retratando características de vários povos e costumes, alem de retratar o cotidiano das pessoas e dos bichos. A escritora Stela Barbieri e o ilustrador Fernando Vilela pesquisaram a forma que as crianças eram ninadas pelo mundo, o projeto se transformou em livro e essas imagens virarão ilustrações.

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Nessa mistura de sentimentos e lembranças, ambos trabalharam no texto e nas ilustrações, foram escritor e ilustrador, usaram lápis preto, pincel, carimbos, o cheirinho do colinho da Vó Elza, as histórias no colinho das tias, os livros no colinho do pai e no carinho do colo da mãe. Assim nasceu  Quero Colo!, uma moldura para esse retrato que é tão significativo.

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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

[LIVRO] A Vovó Chamou o Diabo Para a Ceia - Juliana Daglio

A Família Vieira tinha perdido sua matriarca há poucos meses. Olegna já estava doente e sentia que o pior estava para acontecer, decidiu deixar uma última mensagem para seus herdeiros em vídeo, esse que só seria assistido antes da ceia de natal, quando todos estivessem reunidos na antiga casa. O que ela teria para contar que não poderia ter sido dito em vida?

Aparecido, um de seus filhos, ficou responsável por guardar e transmitir a gravação no momento certo. Ele que sempre deixava claro que tinha cuidado da velha nos últimos minutos. Carlota se fazia presente, a irmã mas velha, a beata que julgava a todos por seus pecados. Mário Alberto, trouxe duas de suas filhas, a desavergonhada Luana e a preguiçosa Eliana. Já Luísa estava acompanhada pelo filho João Paulo, eram inseparáveis.

Assim, se reuniram os quatro filhos de Olegna e três de seus onze netos. Estavam todos incrédulos com o que tinham acabado de assistir, como ela poderia ser tão perversa? Devia ser a idade, só pode! O que tinham feito de tão mal para aquela velha? As portas estavam cerradas, os telefones mudos, agora todos estavam presos com suas consciências e o julgamento de seus parentes.

Fiquei bem surpresa com o enredo, esse é o primeiro trabalho que eu leio da Juliana Daglio e me surpreendeu bastante, ela conseguiu pegar um tema que remete a fraternidade e colocou doses de humor e muito suspense, sem ultrapassar a linha da bizarrice. Impossível não se identificar com as intrigas e briguinhas de família, aquele passado que sempre vem a tona. Recomendo imensamente!

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

[LIVRO] Um Espelho para Vênus - Cristiane Schneckenberg


Além da leitura em si, esse livro me trouxe o mundo das Leituras Coletivas de presente. Sempre tive uma certa dificuldade em compartilhar minhas leituras favoritas com alguém, pois era raro encontrar quem lia os mesmos títulos que eu escolhia, mas hoje, após essa experiência, quero isso para sempre! 

É muito interessante perceber o quanto cada leitor tem uma visão diferente da obra, o quanto sua visão de mundo e experiências interferem no entendimento do enredo. Cada personagem ganha um peso diferente, as ações são vistas por ângulos diversos e o enredo vai sendo construído de forma distinta para cada leitor, mesmo que as palavras sejam as mesmas. 

Um Espelho para Vênus traz a história de Sara, uma sexóloga carioca, que luta pela valorização de sua profissão, o reconhecimento da importância de estudar e tratar questões relacionadas a área promovendo um bem estar e melhorando a qualidade de vida de seus pacientes. Atualmente, ela atende em um hospital carioca e participa de grupos de pesquisa.

Em suas observações, Sara, além de ajudar suas pacientes, questiona o seu relacionamento com Miguel, um cardiologista que atende no mesmo hospital em que ela trabalha. Os dois se conheceram na faculdade, descobriram juntos em qual área se especializar, porém, por enquanto ela entendia e apoiava ele na decisão de cuidar do coração, ele não conseguia levar a sério a escolha dela.

O enredo vai se desenrolando a medida que Sara vai crescendo em sua carreira, a personagem é muito bem construída, uma mulher forte que não se deixa abater por críticas e falta de apoio, desde o início ela sabia o quanto era uma área complicada de trabalhar, porém, essa resistência, só fazia com que ela buscasse trazer cada vez mais alternativas para acalentar as angustias de seus pacientes e quebrar os tabus que a sexologia traz.

Infelizmente, é comum no ambiente hospitalar dar maior importância a especialidades que lidam direto com a morte do corpo, do que especialidades que lidam com a morte minguada da alma, mesmo que no fim, todas sejam fundamentais para o bem estar do paciente. Miguel não acreditava na importância da sexologia para os pacientes, assim como também não apoiava o trabalho de Sara, esse que era bastante elogiado, até mesmo internacionalmente.

Miguel definitivamente é um atraso de vida, além de não apoiar Sara profissionalmente, ele escolhia suas roupas, escolhia para onde ir, o que fazer, eles mantinham um relacionamento abusivo que Sara tentava encontrar desculpas para seus atos. Diante de tanta sutileza, passei boa parte da leitura me questionando até que ponto é tentar agradar o parceiro e entender o seu jeito, ou quando chega o ponto de dar um basta em tantas exigências e decisões unilaterais.

Alias esse foi um assunto bastante discutido no grupo de Leitura Coletiva, se o relacionamento de fato era abusivo, ou não. Se era aceitável o modo que ele agia, ou não. Se Sara devia continuar justificando os atos de Miguel, ou não. Se o casal devia permanecer juntos, ou não. Se as pessoas que estão dentro de um relacionamento abusivo percebem o que está acontecendo, ou só quando extrapola todos os limites. 

Além do romance, Um Espelho para Vênus também traz muita informação, o leitor consegue acompanhar o relato de algumas pacientes de Sara e o desfecho de cada caso, ler suas histórias e aflições, assim como sua evolução. Alías, um dos médicos sexólogos que aparece no enredo é baseado no Dr. Gerson Lopes, autor do blog Vinho e Sexualidade.

A Leitura Coletiva foi organizada pela LC Comunicações, leitores de várias partes do Brasil puderam participar e contribuir com suas observações. A autora, Cristiane Schneckenberg, também foi bastante participativa, conseguiu responder diversas perguntas do grupo relacionadas a leitura e a sexologia como um todo. Agradeço demais pela oportunidade e espero que seja só a primeira de muitas!

[Cola&Bora] Clube da Caixa Preta | Sociedade das Relíquias Literárias

Tá sentindo? Brisa de bons ventos, gostinho doce de retorno, cheirinho suave de quem está se reconectando ao que nunca deveria ter sido esqu...