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sábado, 9 de fevereiro de 2019

[CINEMA] Dumplin


Daqueles longas, tipo sessão da tarde, que você tem vontade de assistir mil vezes, só para ficar com aquele sorrisinho bobo no rosto, mas se engana quem pensa que vai ser mais um clichê de uma adolescente preocupada com o corpo, tentando se encaixar nas imposições da sociedade padrão. Dumplin é a adaptação da obra homônima de Julie Murphy, livro publicado no Brasil pela Editora Valentina (disponível na Amazon com 50% de desconto e de graça no Unlimited).

O enredo vai sendo conduzido através dos ensinamentos e lembranças da Tia Lucy, personagem que tem papel fundamental no desenvolvimento da personalidade da sobrinha Willowdean Dickson, uma adolescente gorda e filha de ex-miss. Will é bem resolvida com o corpo, não tenta se encaixar a qualquer custo nos padrões de beleza impostos pela sociedade, mas lá no fundo ainda precisa trabalhar sua autoestima e sua aceitação.


Piadinhas em relação ao seu peso foram constantes em sua vida, mas sempre soube enfrentar tal situação e nunca se deixou abater por isso, exceto quando é chamada de Fofinha. Apelido carinhoso dado por sua mãe, o adjetivo é só uma forma de criticar o seu peso. Rosie imersa no mundo dos concursos de beleza e do padrão fitness, se envergonha de ter uma filha fora dos padrões e que não pode repetir o seu feito de ganhar a coroa.

Nessa lacuna que existe entre mãe e filha, a figura da Tia Lucy se fortalece como um modelo de comportamento a ser seguido, amadurecendo o caráter de Will, elevando sua autoestima e ajudando a garota a perceber quem ela é de fato e como ela pode enfrentar as adversidades da vida. Mesmo não estando presente, são nos objetos que Tia Lucy deixa, assim como suas frases emblemáticas que ajudam a clarear o turbilhão de pensamentos que passa na cabeça de Will, assim como as músicas de Dolly Parton que acompanham a protagonista em todo o filme.


Em meio a tantos objetos, Will encontra uma ficha de inscrição que sua Tia Lucy preencheu no desejo de concorrer em um concurso de beleza, o mesmo que sua mãe ganhou a coroa. Cansada de ter os padrões ditando o que se pode, ou não fazer, Will se inscreve no mesmo concurso que sua Tia pensou em se inscrever, afinal, o regulamento não cita nada relacionado a peso.

Além do protesto contra os esteriótipos, Will também queria atingir sua mãe de alguma forma, porém o feito causou um efeito dominó, pois outras meninas também desejavam participar do concurso, seja para realizar um sonho, ou apenas para apoiar o seu protesto. Ellen, sua melhor amiga, também aceita o desafio de participar do concurso, uma forma de apoiar sua escolha e se divertirem juntas. Porém ela tem um papel fundamental quando Will começa a sair da linha, e não percebe o quanto está magoando as pessoas a sua volta.


Como todo bom filme adolescente, também tem o bonitão do colégio que todas as meninas são loucas por ele, entre elas a nossa protagonista. Bo trabalha na mesma lanchonete que Will, são nas interações com ele que percebemos o quanto ela é insegura com o próprio corpo, achando que é impossível um homem tão atraente como Bo se apaixonar por alguém como ela. Nesse ponto, Ellen aparece contando que também se sente insegura com o próprio corpo, mas que é necessário saber enfrentar essa situação, para não nos privar de fazermos o que temos vontade.


Um dos pontos fortes é que o enredo não se resume a uma tentativa de romance, ou a uma tentativa de seguir os padrões, mas na construção de uma personagem forte e pronta para lutar por seus ideias, diversas vezes enfrentando até os seus próprios preconceitos. Fica a lição que a normativa aceita pela sociedade não limite nossos passos, ou paralise nossos sonhos, mas que seja só mais um obstáculo que deve ser enfrentado e vencido. O enredo não é apenas maravilhoso, é necessário!


sábado, 18 de agosto de 2018

[CINEMA] Para Todos os Garotos que Já Amei


Imagina que louco seria: Todos os caras que um dia você se apaixonou receber uma cartinha contando sobre esse sentimento. Lara Jean escreve cartas secretas para todos os garotos que se apaixona, é uma forma de contar para eles sobre, mas não contar, sabe como é, né?! No fundo a gente quer que o carinha saiba de todas as fantasias que imaginamos com ele, mas morre de medo do que poderia acontecer se ele de fato descobrisse.

As cartas de Lara Jean nunca foram enviadas, mas por ordem do destino, todas caem nas mãos de seus destinatários ao mesmo tempo, fazendo com que sua vida amorosa se transforme em uma verdadeira confusão. Entre eles está Peter, o garoto popular, o atleta que todas as meninas alimentam uma paixonite aguda por ele, mas ele namora APENAS a garota mais popular do colégio.


Outro destinatário é Josh, o vizinho e namorado de sua irmã mais velha, aquele garoto que te conhece desde quando você nasceu. Ainda tem o carinha do acampamento, o do baile, o... Todos querem entender que sentimento é esse que valeu escrever uma carta e recordar eventos do passado, que muitos deles já estavam esquecidos. Haja explicação para inventar, garota!

O filme é uma adaptação do livro To all the boys I've loved before, de Jenny Han, uma comédia romântica para o público adolescente, ou para quem gosta de uma belo dramalhão que tem os corredores do colégio como plano de fundo. Sim, temos clichê, sim! A irmã confidente, o pai compreensivo, a única e melhor amiga, a garota popular que te odeia, o atleta que todos amam e os confusos relacionamentos do ensino médio.


O elenco foi especialmente escolhido, Lana Condor deu vida a Lara sem transforma-la em fútil, a garota está no meio de um turbilhão de segredos, descobertas e amores, mas nada disso faz com que ela seja menos carismática. Noah Centineo deu vida a Peter, transformou o tipo de garoto detestável em alguém apaixonante, mesmo com seus erros no meio do caminho, ele consegue conquistar o público e entusiastas de seu namoro. 

Temos que citar a participação da Mona, ops, da Janel Parrish no papel de Margot, a irmã mais velha que assume o papel de mãe e elo da família. A produção na verdade é um conjunto de personagens cativantes, sem parecer caricatos ou detestáveis, todos no ponto certo para cativar o público. Uma ótima opção para um sábado a tarde, a leveza de um romance adolescente cheio de suspiros.

sábado, 13 de janeiro de 2018

[Filme] Voldemort: Origins of the Heir


Quem estava ansioso por esse momento?! No ano passado, um grupo de fãs de Harry Potter fizeram uma campanha em sites de financiamento coletivo para arrecadar fundos para a produção de um filme inspirado na saga. Autorizado pela Warner Bros, estúdio que detém os direitos da saga, com a condição de não ter fins lucrativos, a produção de 52 minutos foi lançada hoje no YouTube, de forma gratuita, sem publicidade e com legenda em português.

O filme relata o último ano de Tom Riddle em Hogwart e sua transformação em Voldemort. Os quatro herdeiros estão reunidos, cada um representando a sua casa de origem, Wiglaf a Corvinal, Lázaro a Lufa-Lufa, Grisha a Grifinória e Tom a Sonserina. A linhagem é um segredo que não consta nos documentos oficiais, porém cada um deve proteger as horcruxes, artefato mágico, de suas famílias e juntos manter o mundo bruxo de forma equilibrada.


Tom tinha outros planos, desrespeitado por ser meio trouxa, ele queria se transformar no bruxo mais poderoso do mundo, fazer com que todos o temessem. Após concluir os seus estudos, Tom trabalhou por um tempo em uma loja de artefatos mágicos, deu aula de Defesa Contra as Artes das Trevas e sumiu, voltando 10 anos depois com a identidade daquele que não pode ser nomeado.

Durante esse tempo Lázaro conseguiu encontrar o troféu que representava a sua casa e envia-lo para a sua tia. Grisha continuava sua busca incessante para trazer Tom para perto deles, mas ninguém sabia onde ele estava. Um grande escândalo acontece ocupando as primeiras páginas dos principais jornais bruxo, a elfa doméstica mata Sra. Hepzibah envenenada.


Dirigido e roteirizado por Gianmaria Pezzato, produzido por Stefano Prestia, o longa surpreende pela caracterização e qualidade, seguindo uma identidade visual bastante parecida com as produções oficiais. O baixo orçamento fez com que atores medianos fizessem os papeis secundários, trazendo uma artificialidade para a trama, em contra-partida, a produção ainda conseguiu obter ótimos efeitos e cenas memoráveis como a morte da Sra. Hepzibah.

O roteiro ficou bastante confuso em algumas partes, é possível enxugar algumas cenas sem trazer danos ao enredo, o que deixou a sensação de que a produção foi muito longa para pouco conteúdo. Algumas cenas tem o som bastante falho, como a hora que os feitiços são lançados, não sei se a intenção foi essa, ou se foi um erro de dublagem (o filme foi gravado em italiano, e depois foi dublado para o inglês). 

Confesso que estou em um misto de sensações, uma de achar a produção mediana, mas compreender que é um projeto independente e de baixo custo, o que justifica algumas coisas. Ou estasiada por ter visitado o Universo HP por mais 52 minutos, ter escutado tantas referências, ter visto tantos gestos familiares e viajado nas histórias, nos personagens. É emocionante perceber o quanto esse enredo consegue mexer com as pessoas, mobilizar o mundo. ASSISTAM! Filme na íntegra aqui:


sábado, 9 de setembro de 2017

[Cinema] Atômica

Esquece aquele filme de ação com o macho indestrutível sendo o protagonista da porra toda. Esquece aquele brucutu soltando socos e chutes, sem sofrer um único arranhão. Esquece aqueles filmes de espionagem que só tem tiro e sangue, mas é uma negação no enredo. Esquece isso tudo e lembre da Charlize Theron sendo um exemplo de mulher que pode tudo, em plena guerra fria, entre socos e paixões.

Estamos na semana que antecede a queda do muro de Berlim, um dos símbolos da guerra fria, monumento que separava fisicamente a capital da Alemanha em Ocidental e Oriental. A espiã Lorraine Broughton recebe a missão de investigar o assassinato de um oficial britânico e recuperar a listagem dos agentes duplos, porém, ao contar com a ajuda de David Percival, agente infiltrado, ela vai perceber que nessa missão nem todos são confiáveis.

O enredo é baseado no quadrinho A Cidade Mais Fria, de Antony Johnston e Sam Hart, exata definição de como Berlim se apresentava diante dos conflitos, gélida, amedrontada e torturante. O cenário que o enredo se desenvolve é bem construído, a marginalidade das ruas da capital, a ditadura que a população sofria, a tensão em cada respiração, o medo em cada ato. É incrível imaginar como as pessoas conseguiam sobreviver naquele fogo cruzado, que geralmente se apresentava de forma silenciosa e sorrateira.

A fotografia de Jonathan Sela chega ser hipnótica, as cores frias de uma Berlim Oriental, tons acinzentados passeando entre o azul e o verde, destacando a disciplina militar imposta na época, o tradicionalismo e o medo constante. Cores neon na Berlim Ocidental, região que era referência de moda, de modernidade, de quebra de barreiras, grupos insatisfeitos com a situação se rebelavam contra o governo. Um jogo de luzes e ângulos que contaram muito sobre os lados do muro.


A trilha sonora é o primeiro indício que estávamos diante de um grande filme, os grandes clássicos dos anos 80 vão enchendo as cenas de referências e trazendo um novo significado para as ações. Podemos citar Cities in Dust, de Siouxsie and the Banshees, Father Figure, de George Michael, She Lost a Control, de Joy Division, e Cat People, de David Bowie.

É contagiante perceber o quanto Charlize Theron se entregou a personagem, seus olhares intensos, sua postura, sua transição pelas várias facetas que o enredo pede, podemos ver uma mulher empoderada que é dona de si e não tem medo de seguir seus extintos e desejos. Sofia Boutella, como a exótica Delphine Lasalle, consegue incendiar a tela, banhada por luzes vermelhas e ângulos laterais, a sensualidade e a cumplicidade da personagem envolve o expectador, deixando aquele gostinho de quero mais e que ela poderia ser mais bem aproveitada.


O irônico David Percival, interpretado por James McAvoy, faz o contraponto com a poderosa Theron, seus diálogos rápidos e sua desconfiança que ela não é tão boa quanto ele, faz com que o público vibre todas as vezes que ela consegue ser mais esperta e ágil. As longas cenas de luta são de tirar o folego, algumas referencias podem ser identificadas facilmente, como o laço usado pela mulher-maravilha utilizado por Theron. Vale lembrar que a entrega foi tamanha que a atriz dispensou a dublê.

O longa não conquista a nota máxima por ter um enredo um pouco confuso, talvez seja preciso assistir duas, três vezes para entender qual o lado de cada agente duplo, ou o que cada um pretendia, mas a construção dos personagens, a escolha dos atores, a fotografia, trilha e principalmente a direção, faz com que o filme seja uma ótima opção. 


sábado, 29 de julho de 2017

[Filme] O Quarto dos Esquecidos

Uma casa antiga e uma família buscando um novo recomeço. O piso de madeira, as janelas que não abrem, as portas que se trancam sozinhas, as luzes que piscam, um matagal e a solidão. Podemos dizer que O Quarto dos Esquecidos é mais um clichê do suspense, um crime mal desvendado se repetindo incansavelmente até que alguém pare o processo.

Dana e David buscam um novo recomeço após enfrentar a morte da filha mais nova. O casarão no meio do nada é uma ótima opção para quem busca paz e um lar estável para o criar o filho. Aos poucos a família vai se acomodando, reformando os espaço, organizando os objetos, tirando as infiltrações, se restabelecendo.

Durante uma caminhada na madrugada, uma luz no último andar chama a atenção de Dana, de acordo com a planta-baixa do imóvel aquele espaço não existe, mas após uma busca rápida e um móvel deslocado, uma porta fortemente trancada se fez presente. Cismada com aquele quarto, no dia seguinte Dana aproveita que o marido está brincando com o filho para tentar entrar naquele quarto.

Um homem sério, uma mulher triste, uma menina amedrontada e um cachorro enfurecido discutem ali dentro, Dana é atraída e trancafiada com eles, apavorada ela tenta fugir, mas percebe que as janelas não abrem e a porta só pode ser aberta pelo lado de fora, ninguém escuta seus pedidos de ajuda, ou percebe que ela desapareceu, o que resta é tentar se proteger e entender quem são essas pessoas e o que está acontecendo ali.

Apesar de todos os clichês o enredo consegue te prendar, talvez em uma expectativa sobre como os personagens vão crescer (o que não acontece), ou se outras pessoas vão ter uma participação mais ativa na trama central (o que também não acontece), porém, assim como qualquer suspense, fica aquela expectativa no ar de que o confronto vai acontecer.

Uma das primeiras cenas se torna bem emblemática quando no mercado Dana se apresenta como arquiteta e David como "do lar", causando um pouco de desconforto aos ouvintes. Também em conversas com a historiadora da cidade, Dana escuta histórias sobre quando era costume abandonar crianças que tinham nascida com algum tipo de deficiência. 

Em uma pesquisa rápida no Google é possível encontrar diversas histórias sobre as tradições referentes aos bebês, uma delas era a obrigação que as mães tinham de matar quando as crianças nasciam com algum tipo de deficiência. Ou no Egito que era costume matar as filhas por terem nascido mulher, seja rica ou pobre.

O filme prometia pelo elenco, mas deixou de aproveitar seu enredo, esqueceu de trabalhar as entrelinhas e colocar mais elementos em cena. Fica a promessa de um drama envolvente e um quarto assustador. Quem curte suspense fraquinho, ele tá de bom grado! 


sábado, 22 de julho de 2017

[Cinema] Fome de Poder - The Founder


Existem aqueles que são gênios, donos de grandes ideias, que pensam além dos processos habituais e podem revolucionar o mundo. Existem aqueles que vivem de ganância, na busca pelo poder e na tentativa de se dar bem a qualquer preço. Existem aqueles que são gênios e gananciosos, que conseguem levar suas grandes ideias ao mundo e são cultuados por isso. Existem aqueles que são cultuados por terem gerenciado grandes ideias, o que não lhe garante ética, nem mesmo o título de gênio, ou qualquer outro título honroso.

Os irmãos McDonald's eram gênios, após uma experiencia frustrada com o modelo de lanchonete vigente nos EUA na década de 50, Richard e Maurice se basearam no modelo Ford para remodelarem o processo de produção dos lanches, onde é estruturado uma linha de produção em que cada funcionário realiza uma parte da montagem. O movimento repetitivo faz com que a produção seja mais eficaz, rápida e mantenha o padrão.


Ray Kroc é o ganancioso que não merece um título honroso, bom de lábia, galanteador, discurso pronto e corajoso, podemos falar tudo sobre Kroc, mas temos que reconhecer que ele adorava um desafio. Munido de engenhocas para lanchonetes, Kroc recebeu um pedido inusitado, uma lanchonete solicitou a compra de 8 mixes que produziam vários milk-shakes de uma vez, o que só podia ser uma pegadinha, mas não custava nada verificar o local.


Surpreso, Kroc não conseguia acreditar no que via, atendimento eficiente, rapidez na entrega, ausência de baderneiros, ambiente limpo e clientes, muitos clientes, famílias inteiras na fila ansiosas pelos produtos McDonald's. Após conhecer o funcionamento do local e a história dos donos, Kroc teve a certeza que precisava levar aquele modelo para outros cantos, espalhar por toda costa.

Apesar de gênios, os irmãos McDonald's tinham medo de arriscar, estavam satisfeitos com o sucesso local e não pretendiam ampliar o negócio e faturar mais. Kroc logo apresentou um modelo de franquia, o que foi imediatamente reprovado, mas após conversas e concessões os irmãos se renderam, tentaram ser cautelosos com aquele novo passo, mas permitiram a busca de franqueados.


Kroc começou sua busca por franqueados, pessoas de confiança que pudessem levar o negocio adiante, mas sem estragar o conceito da marca. Começou então os primeiros embates, a mudança de cardápio, a baixa rentabilidade, a dificuldade em encontrar pessoas responsáveis e a resistência dos irmãos sobre a resolução de cada item. 

Os embates fizeram com que a ganancia prevalece-se diante dos gênios, excluindo qualquer título honroso que pudesse ser dado ao homem que transformou aquela movimentada lanchonete de San Bernardino, Califórnia, na maior rede de fast-food do mundo. Hoje presente em 120 países, 37 mil franqueados e milhares de admiradores.


A produção vai além do desejo de contar a história da lanchonete, ela consegue passar diversas lições sobre gestão e coragem. Já começa com um monólogo de Kroc sobre como você precisa ser corajoso para colocar em prática suas grandes ideias, devemos arriscar, dar tudo de si, realmente acreditar que aquilo é extraordinário, do contrário, é só mais uma ideia perdida.

Kroc não é um modelo a ser admirado e seguido, mas a sua persistência em acreditar que aquele modelo de negócio tem potencial e que pode alçar voos bem mais altos do que o esperado é louvável. Quantas vezes temos grandes ideias e simplesmente deixamos de lado por medo de arriscar, por desistirmos no primeiro tombo, por não nos cercarmos de pessoas de confiança. Quantas vezes escolhemos o caminho mais fácil por medo do novo? ACREDITE!

sábado, 1 de abril de 2017

1º de Abril - #SomosTodosMentirosos


Sempre começa com uma pequena história mal contada, daquelas que soam como uma desculpa boba. Toda mentira sente fome de continuação, pede motivos e detalhes para crescer e se tornar independente, quem sabe ela se transforme em verdade. Quem nunca contou aquela história com uma pitada de exagero, MENTIRA. Ou inventou aquela desculpa para evitar a fadiga, MENTIRA.

Muitas vezes começa como se fosse inevitável, aquelas situações que devemos contornar a verdade porque ela poderia doer, NÃO DÓI, ou até mesmo obter vantagem com uma pequena história fora de contexto, OLHA ISSO. Quando percebemos a mentira já dominou a nossa vida, na primeira oportunidade usamos ela para burlar o sistema social do mundo, o ato se torna tão corriqueiro, que nem percebemos mais até que ponto a verdade é nua e crua, ou se já passou do ponto faz tempo.

Algumas vezes, estamos tão inundados com a normatização de tantas mentiras, que não percebemos quando entramos em um efeito domino, afinal não tem maldade, TEM SIM, é só uma pequena história sem consequências, SERÁ MESMO? O locutor pode encarar como algo bobo, apenas mais uma invenção corriqueira, mas no meio do caminho a mensagem pode ganhar outras partes, outros modos e atingir o receptor como uma avalanche, modificando o curso normal da vida.

Exemplificando rapidamente em filmes, O Mentiroso com Jim Carrey relata a vida de um homem que conta pequenas mentiras de forma corriqueira, no trabalho, na vida pessoal, pra si, mas nenhuma delas faz com que ele resolva os seus problemas. A Mentira com Emma Stone mostra que uma pequena mentira exigiu mais uma história, mais uma atitude, mais um efeito domino, diversas pessoas atingidas e o caos instalado.

Já parou para pensar que hoje a sua vida se configura dessa forma devido uma mentira passada, uma pequena historinha que trouxe consequências? Ou já parou para contar quantas mentirinhas, historias mal contadas, você conta por dia? Imagina, ou melhor, te desafio, quanto tempo você passa sem mentir, sem historinha, sem meia verdade, sem uma desculpa inventada, quanto tempo? Isso inclui falar a verdade quando alguém te pergunta se está tudo bem. Vamos lá, vamos começar:

COMO VOCÊ SE SENTE HOJE?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Um Lugar Por Dia - Carnaval em Fortaleza

O feriado prolongado de Carnaval é a época ideal para viajar e conhecer novos lugares, mas caso a ideia seja ficar em casa, Fortaleza oferece várias opções para quem está fugindo da folia, aliás, vale uma programação diferente para cada dia, praia, cinema, bloquinho e muita comida. Separei alguns programas que eu amo fazer, agora me conta o que vai fazer nesse carnaval?



Sol, Praia, Mar e Caranguejo

Passar o carnaval em Fortaleza e não visitar as praias é quase um pecado! Um bom banho de mar é sempre revigorante, parece que as ondas conseguem levar as mazelas da vida para longe, sem contar que é calmante. Se quer uma dica: Vá até a Praia do Futuro, tome um banho de mar (não se assuste com a coloração amarronzada da água, é o efeito das algas comuns a essa época), aproveite o sol e coma um caranguejo com água de coco, ou cerveja, ou caipirinha. Só não esqueça de usar o protetor solar e respeitar a sinalização dos bombeiros.


Sanduíche, Cachorro Quente, Batata Frita e Baião com Linguiça Apimentada

Existe programa melhor do que sair para comer? No feriadão as lojas sempre estão com promoções de dar água na boca, o que é uma ótima pedida para experimentar novos sabores. Se quer aquela dica: o Bob's está com promoção de sanduíche (Cheddar é vida!) com Milk Shake (Já experimentou o Nutella com Avelã?) por R$14,99 - CUPOM - Já o Oh My Dog tá com promoção do Hot Dog de 32cm + Refrigerante de 400ml + Batata Frita Média + Churros de 25cm por R19,99 - CUPOM - Sem contar aqueles cantos que amamos e sempre vale a indicação como o Quente Frio, a Batatinha do Avião e o Baião com Linguiça Apimentada do Cantinho Acadêmico.

Cinema, super-herói e Clarisse

Estranhamente não estou vendo aquelas promoções que lotavam os cinemas, que formavam filas e mais filas com voltas e mais voltas, aliás, estou lendo diversos relatos que os cinemas estão vazios, logo, creio que a minha experiência de cinema vazio não foi a única. O Cinema do Dragão está com sessões gratuitas e debates sobre cinema. O CineTeatro São Luiz está com maratonas gratuitas de filmes de super-heróis. Sem contar os shoppings que estão com promoção de meia para todos. Aproveite o feriado para assistir o aclamado 50 tons mais escuro, ou dê uma oportunidade para a produção Clarisse ou alguma coisa sobre nós dois, ou o premiado Manchester à Beira-Mar.


Bloquinhos, Bode Ioio e Iracema

O carnaval de rua vem ganhando cada vez mais espaço na capital, praticamente todos os bairros colocaram seus blocos na rua, além das tradicionais marchinhas e os bailinhos infantis, teve festa para agradar todos os gostos. Rock 80', brega, sertanejo, mela-mela, lama-lama, show na praia, bloquinhos para recordar os tempos de escola, cordões e o Iracema Bode Beat, um cordão em alusão ao encontro da índia Iracema e o Bode Ioio, o vereador que roubou o coração das donzelas da cidade (já contei essa história AQUI). Também não vamos esquecer o desfile dos maracatus que amamos e as tradicionais escolas de samba e afoxés!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

[Cinema] Clinical

Jane Mathis é uma psiquiatra dedicada a casos pós-traumáticos, pacientes que buscam ajuda profissional para conseguir superar algum tipo de trauma e retornar a sociedade. As histórias são longas e cruéis, mas algumas delas não possuem uma linha de raciocínio, nem uma ordem dos fatos. O confronto é o primeiro passo para a reabilitação, ficar de frente com a dor é o inicio da superação, esse é o método usada por Jane.

Nora é uma adolescente que não lembra do que tem medo, qual o seu trauma e como tudo aconteceu, mas a dor estraçalha a sua alma. Confrontada por Jane, a dor de Nora começa a ganhar forma e contexto, é a hora de começar a enfrentá-la, mas algo sai do controle e as coisas não acontecem como planejado. No meio da noite Nora invade o consultório da psiquiatra pronta para se vingar, armada ela perde o controle e põe tudo a perder.

Dois anos após o episódio, Jane tenta reconstruir a sua vida, volta a se relacionar com as pessoas, reabre a sua clínica, mas ainda é arredia quando é confrontada sobre a sua dor. Ela não consegue entender como as coisas chegaram aquele ponto, ou o que exatamente deu errado, essa é a chave para ela encontrar o foco da dor e ter paz, mas ela não se sente forte o bastante para isso.

Optando por casos mais leves, Jane recusa todos os casos pós-traumáticos que batem a sua porta, até o dia que Alex liga pedindo ajuda, um homem desfigurado que sofreu um grave acidente e precisa enfrentar a sociedade novamente. Instigada pelos desafios daquele novo paciente, ela tenta se fortalecer para ajuda-lo, é quando o passado volta a tona e ela descobre que cometeu um grande erro.


Suspense psicológico dirigido por Alistair Legrand, Clinical é a grande aposta da Netflix nessa sexta-feira 13. Enredo que traz como foco o confronto da dor, o longa instiga o público a descobrir o que de fato aconteceu, as histórias são contadas nas sessões de terapia, momento em que os pacientes são provocados a lembrar de seus traumas e esclarecer as partes sombrias. O esquecimento é um mecanismo de defesa do corpo após o trauma, mas também pode fazer com que se abra espaço para criar uma realidade paralela de tudo o que aconteceu.

As cenas de terapia são definidas como uma ajuda as pessoas que não sabem mais como viver, ou como enfrentar a sociedade, mas também traz um profissional que não conduz as conversas, que não se interessa por casos corriqueiros, como os de ansiedade e estresse. É interessante ver o esforço de Jane ao tentar se fortalecer para exercer a sua profissão, para ser o suporte de seus pacientes.

Diversas cenas tive dúvida se o que acontecia era real, ou apenas um reflexo do trauma, mas aos poucos tudo foi se esclarecendo até chegar ao final surpreendente, e que final! Pena que o fim deixou algumas pontas soltas, informações importantes sobre a ligação de Jane, Alex e Nora, mas o filme não perdeu o seu brilhantismo. RECOMENDO!

domingo, 23 de outubro de 2016

[Cinema] Perigos da Mente | Perigos da Rede

Aproveitei o domingão para assistir filminhos, mas minhas escolhas não foram tão felizes assim, escolhi dois suspenses com a pegada mais psicológica, porém ainda estou esperando a grande virada nada previsível que iria levar o título as cabeças. Aos amigos que adoram indicar longas memoráveis, por favor não esqueça de deixar uma listinha nos comentários, faço questão!

PERIGOS DA MENTE
Após ter sido sequestrada, Emily Moore vive o medo de que o maníaco ataque novamente, a investigação da polícia não apontou nada conclusivo e para evitar mais pânico ela se afastou dos holofotes recusando diversos trabalhos como atriz. Tentando relaxar Emily e o marido, Richard, viajam até uma ilha do Mediterrâneo buscando um pouco de paz.

A casa é invadida por Sarah, uma jovem que viu seu namorado cair de um precipício e precisa de ajuda urgentemente. Emily acha uma péssima ideia manter aquela estranha dentro de casa, mas Richard é psicólogo e acha que a sua obrigação é ajudar a garota.

O enredo vai se desenrolando na medida que Emily começa a ter surtos e Richard tenta convence-la que o que ela está vendo é só reflexo de sua mente traumatizada. O fim é totalmente previsível, mas inconclusivo, algumas pontas ficaram soltas e muitas perguntas ficaram no ar. Odeio quando os personagens não criam aquele laço afetivo com o público, a Emily não cresceu no decorrer da história, o Richard é um dissimulado e a Sarah uma sonsa. Tantas possibilidades, mas nenhum sucesso.



PERIGOS DA REDE
História baseada em Thomas Montgomery, um maquinista de 47 anos que mata o colega de trabalho por ciúmes. Tommy é a identidade virtual de Thomas, um fuzileiro naval que joga poker para aliviar o stress, em uma dessas rodadas ele conhece Jessi tallhotblond, uma jovem virgem cheia de fotos provocantes.

O casamento de Thomas não é mais o mesmo, a paixão acabou e a relação está por um fio, Tommy se torna o seu refúgio, o sexo virtual faz com que ele se sinta jovem de novo e capaz de tudo. Porém as coisas começam a se complicar quando o virtual e o real se misturam e a relação passa a afetar, não só o seu casamento, mas o seu trabalho.

Apesar do enredo interessante, o filme é lento e cansativo, a crise de meia-idade de Thomas acentua o seu lado doentio e tolo. O final é surpreendente e um tanto quanto questionável, será que depois de todas as mensagens trocadas e as provocações apenas um é o culpado? O romance aconteceu nos EUA em 2006.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

[Cinema] Colegas + MONO

Filme lançado em 2013, logo me chamou atenção por sua singularidade, fiz planos para aprecia-lo no cinema, mas por empecilhos da vida, acabei não indo, até que a Netflix liberou essa belezinha para satisfazer a minha curiosidade. Colegas é uma comédia brasileira dirigida por Marcelo Galvão, sendo o primeiro filme brasileiro protagonizado por atores com Síndrome de Down e inspirado no filme Pequena Miss Sunshine. 

Stalone quer ver o mar, Aninha quer se casar e Marcio quer voar. Os três colegas apaixonados por cinema fogem do instituto em que vivem para realizar seus sonhos, na estrada e sem nenhuma malícia os colegas se metem em diversas confusões se tornando os ladrões mais temidos da região, porém a desenvoltura dos três é recebida com grande festa pelo Instituto do Arlindo.

Os jovens buscavam realizar seus sonhos, mas conseguiram provar o sabor da liberdade, a sensação da total independência, experimentaram o mundo através dos olhos de Hollywood. É o tipo de filme que você torce pelos personagens, mesmo quando fazem coisas erradas, o enredo é tão leve que te faz manter aquele risinho do começo ao fim. Ah e a trilha é maravilhosa, daquelas que você quer escutar mil vezes e ela se resume em Raul Seixas, PERFEITO o nosso maluco beleza! 



A lógica é bem simples e comum aos filmes de colégio, os populares humilhando os nerds e os nerds acoados com ódio dos populares. O detalhe é que uma das nerds, que namorava outro nerd, trocou ele por um cara popular do time de futebol, se tornando o casal mais perfeitinho do colégio. O ciúmes foi decisivo quando o nerd traído descobriu que uma das amigas da sua ex estava com mononucleose, ou seja, a oportunidade perfeita de provar para ela que o jogador foi uma péssima escolha.
O plano era fazer com que todos os populares contraíssem a doença e se afastassem do colégio, então com a ajuda de mais dois amigos e um potinho cheio de vírus, começou a infecção em massa e a exclusão total dos populares por um mês do colégio. O que eles não esperavam é que com o lugar dos populares vago, eles iam se tornar os novos populares, os donos da festa e tudo ia sair do controle.

O interessante é que parece que todos os grupos possuem a sua função no funcionamento do grupo estudantil, caso uma dessas peças pare de funcionar, as outras entram em colapso instantaneamente, não sabem como agir, ou perdem a noção de limites. Os papeis podem se inverter, mas os mesmos grupos vão continuar existindo, os humilhados e os humilhadores. Vale a lembrança que o mundo gira, aquele que tá por baixo hoje, pode ser chefe amanhã ;)


sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Espera por Dex e Em (Um Dia) - 15 de Julho


Hoje é um dia saudosista, daqueles que anotamos na agenda para não esquecer o compromisso, não marcamos hora, ou lugar, apenas prometemos que todos os anos nos encontraríamos, trocaríamos um abraço, um tapinha nas costas, um sorriso e um resumo das pequenas novidades do cotidiano. Torço para que esses 365 dias que nos distanciou tenha trazido bons ventos, brisas de alívio e principalmente alguns sorrisos. 

Lembro da primeira vez que nos vimos, foi uma noite de bebedeira, comemorávamos a formatura, enfim estavam livres da universidade e a vida exigia que fosse dado mais um passo, provavelmente ambos percorreriam caminhos diferentes, mas o encontro estava marcado. Nos anos seguintes nos encontramos no mesmo dia, as vezes apenas um aparecia, as vezes a raiva tomava conta do momento, as vezes só a mágoa, mas sempre a certeza que aquele dia trazia algo especial.

Percebi que a vida nos distanciou dos sonhos, nos obrigou a trilhar caminhos que não estavam em nossos planos, as vezes fomos obrigados a tomar medidas drásticas, esquecer tudo e seguir, mas o nosso dia sempre se fez presente. Nosso encontro trazia um resumo do que tinha acontecido, as vezes por palavras, outras por cartas e até mesmo por uma avalanche de sentimentos, meu coração ficava apertado quando percebia que precisávamos nos ver mais, nos apoiar mais, nos compreender mais.

Os últimos encontros foram felizes, podíamos emoldura-los na parede da sala e apreciar sempre que possível. Tivemos um contra-tempo no final, foi uma barra, não acreditei, queria arrancar aquela parte das nossas vidas, mas não foi possível, mudamos de plano. Sabe, aprendi que por mais turbulento o caminho possa parecer, os nossos sonhos são possíveis se nunca desistirmos. E sabe aquela sensação de deslocamento, um dia acaba, todo mundo tem um lugar, por mais escondidinho que ele esteja, a gente sempre encontra. Dex, Em, sempre espero vocês nesse dia, um dia!

*Dex e Em são protagonistas do livro Um Dia

quinta-feira, 21 de abril de 2016

[Cinema] Ele Está de Volta

Se Hitler estivesse de volta, o que você falaria para ele? Talvez para muitos a resposta seria bem óbvia, mas calma, vamos tomar um café e debater sobre o mundo sem rotular com o termo "nazismo". Assustador imaginar que diversas pessoas achariam engraçado, curioso, ou até mesmo concordariam com seus atos, outros diriam que é errado, mas não saberiam explicar o motivo de ser errado, apenas querem uma selfie para ostentar entre os amigos, afinal é o Führer!

Você deve pensar que essa é uma hipótese completamente distante e louca, mas vamos olhar para o nosso cenário atual, o Brasil em crise e a ideia da volta da ditadura militar é levantada como opção, tortura, censura e tudo o que tem direito. Absurdo! Mas agora vamos para o cafezinho e tirar a rotulagem, defensores dos torturadores são idolatrados, a tortura é defendida em caso de crime (lembrando que os militantes eram considerados criminosos) e a censura é aceitável em alguns casos. Discurso confuso... talvez.

Terminei de assistir o filme Ele está de volta há poucos minutos e me sinto extremamente assustada quando faço essa comparação, o nazismo parece tão longe da nossa realidade e quando paramos para refletir por um minuto, descobrimos que o nosso país defende coisas tão absurdas quanto. O filme era para ser apenas uma comédia, mas os diversos depoimentos gravados espontaneamente são no mínimo perturbadores, a idolatria por Adolf Hitler chega a ser patética.

Após anos desacordado, Hitler acorda em Berlim de 2011 completamente confuso, o céu não tinha mais caças e o barulho de tiros tinha cessado, os passarinhos cantavam e as crianças brincavam livres no meio da rua. Na busca por informações Adolf questiona algumas crianças, pedestres, até ir parar em uma banca de jornais onde consegue abrigo e as notícias em primeira mão.

Um cinegrafista desempregado descobre aquele personagem e leva o Führer para a TV, ele é a nova sensação da emissora, todos acham a figura extremamente engraçada e com criticas bastante ajustadas e pontuais, suas propostas de reformas vão desde a programação da TV que se resume a programas culinários, até a mistura da raça dos cachorros. Hitler era a nova sensação da mídia.

O assustador é que diversas cenas foram gravadas com câmeras escondidas, ou como se fosse um documentário, das quais mostravam o ator caracterizado visitando diversas cidades da Alemanha conversando com pessoas aleatórias sobre a situação atual do país, mistura de raças, doenças, estrangeiros, programação da TV, entre outros, e a reação era um receio inicial seguido de uma concordância e idolatria pelas ideias que Hitler defendia.

Poucos foram os que se indignaram diante da situação, a grande maioria achou divertido, interessante e bem "adequado", o enredo que foi criado ali deixava bem claro que na Segunda Guerra Mundial o nazismo ganhou adeptos da mesma forma, Hitler carismático ganhou a simpatia da população, mesmo sendo totalmente transparente em seus ideais conseguiu ser eleito e só então ganhou poder suficiente para fazer o que fez, o mesmo processo se repetia, simpático, ganhou seguidores e já ocupava toda a programação do canal com picos de audiência.

No final Hitler afirmava que ele continuava vivo dentro de cada alemão e a produtora do filme questionava se após 70 anos a população alemã tinha realmente superado essa tragédia. O filme é baseado em um livro de mesmo nome do escritor Timur Vermes, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca, na Alemanha o livro foi comercializado por € 19,33 uma analogia ao ano que ele virou o Chanceler do país após as eleições.

sábado, 16 de abril de 2016

[Cinema] E Seu Nome é Jonas

Jonas é um garoto surdo, frequenta uma escola que adota a língua de sinais em sua comunicação, possui amigos e interage com a sociedade, mas as coisas não foram tão simples assim. Seu diagnostico foi tardio, incialmente a sua agressividade foi dita como um problema da sua intelectualidade retardatária, o tratamento era a internação em uma clínica, mas após anos o garoto continuava agressivo e sem responder quando lhe chamavam.
 
Sua mãe queria resgatar o tempo perdido, tirou Jonas da clínica e levou para casa, porém a situação continuava complicada, ele não respondia quando chamavam, era agressivo, continuava dançando quando a música parava, mas, afinal, como ele conseguia pensar se não falava? O pai foi o primeiro a cair fora, não tinha paciência com o garoto, gritava, xingava, simplesmente não entendia a situação, preferiu sair de casa e esquecer toda aquela situação.
 
Unindo as poucas informações que tinha a mãe levou o garoto para fazer alguns testes, Jonas era surdo e precisava se adaptar ao mundo. A primeira escola que ele participou defendia o método do oralismo, doutrina de Ponce de León e Juan Pablo Bonet, onde o surdo não podia usar gestos, era necessário que ele fizesse a leitura labial e tentasse falar, ele precisava exercitar a fala para não se tornar um adulto acomodado que só interagia com surdos.
 
O método foi traumático e totalmente sem resultados, Jonas continuava sem conseguir se comunicar, então buscaram um novo método, a comunicação através dos sinais. A nova escola trouxe resultados imediatos, ele conseguia expressar o que sentia, as pessoas conseguiam compreender o que ele queria, conheceu outros surdos, fez amigos, ele finalmente estava se inserindo no mundo.
 
Durante todo o filme percebemos a tentativa de inseri-lo na sociedade ouvinte, sem se importar com suas limitações, queriam transforma-lo em um típico garoto americano, mas a barreira da comunicação tornava ambos os lados agressivos e confusos.
 
Apesar do filme ser de 1979, a história possui aspectos bem atuais, a sociedade ainda alimenta preconceitos sobre o surdo, é comum encontrar pessoas que acreditam que o surdo possui algum tipo de retardo intelectual, que se você gritar ou repetir a mesma coisa diversas vezes eles vão te escutar por alguma ordem divina (método muito usado na educação oral), ou até mesmo que é pura acomodação a falta de oralidade. O filme vale a reflexão!
 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

[Cinema] Hotel Transilvânia | Cada um na Sua Casa

Hotel Transilvania
Apaixonada por papelaria como eu sou, após ver os personagens do filme Hotel Transilvânia sendo tema de alguns bloquinhos, me rendi a animação e fui conferir toda a fofura dos monstros. O temido Conde Drácula é dono de um hotel 5 estrelas localizado no meio da floresta, o local foi todo projetado para que nenhum humano chegasse perto, garantindo total sossego aos hospedes e proteção a sua morceguinha, claro! Marvis, filha de Drácula, está completando 118 anos e o mundo dos monstros está em festa. 

O sonho da garota é voar além dos muros do hotel, conhecer os humanos e pessoas de sua idade, mas o temido Drácula vai fazer de tudo para tirar essa ideia maluca da cabeça da garota, até mesmo encenar humanos apavorantes e piores que os próprios monstros. O que Drácula não esperava é que um humano destemido invadisse o hotel de forma despretensiosa colocando todo o seu plano de segurança em cheque.

Jonathan não tem a menor noção do perigo que está correndo, Drácula quer coloca-lo para fora de qualquer forma, mas Marvis quer fazer amizade e saber mais sobre o mundo lá fora. Sem outra opção, Drácula ajuda o garoto a passar desapercebido entre os monstros, o humano se transforma no primo distante de Frankenstein, mas o inesperado acontece, todos os monstros querem fazer amizade e Marvis... bem, seus olhos brilham sempre que pensa no garoto.

Mais uma animação da Disney que agrada gregos e troianos (crianças e adultos), os traços são fofinhos causando empatia em qualquer pessoa, já a história além de cativante é no mínimo tocante, pensar no pai mais temido do mundo se sentindo receoso pela ideia da "morceguinha" sair de casa e enfrentar as mazelas além dos muros. Com certeza entrou na lista de animações que se assiste mil vezes.




A ideia de ter uma comunidade de monstrinhos arredondados e desengonçados lembra bastante os Minions, porém com 4 perninhas e lilás. Uvas no lugar das bananas, por favor! A terra está sendo invadida por criaturinhas de outro planeta, os Boov, mas tudo está sob controle, eles apenas vão colocar os humanos para uma área projetada com tudo o que eles precisam para sobreviver, por enquanto as criaturinhas ocupam e adequam as cidades que os humanos habitavam.

Simples se não fosse uma completa loucura, as pessoas foram raptadas e levadas para um local isolado e padronizado, diversas famílias se perderam, inclusive a de Tip, sua mãe foi levada para a nova cidade planejada e a menina foi esquecida em sua velha casa. Na tentativa de reencontrar sua mãe, Tip conhece Oh, um Boov que é menosprezado pelos os outros seres devido suas trapalhadas.

Unidos Oh vai ajudar Tip achar sua mãe, já Tip vai se tornar a melhor amiga de Oh e tentar ajuda-lo a desfazer o mal entendido que ele criou ao convidar o grande inimigo de seu povo para uma festa em sua casa. Nessa aventura intergalática os amigos vão passar por maus bocados na tentativa de não serem pegos pelo imperador Boov, afinal, ninguém quer os dois por perto.

A primeira lição da animação é o fato de as vezes fazermos as coisas de tal maneira pensando que estamos ajudando, mas na verdade só atrapalhamos, se colocar no lugar do outro e entender o que de fato aconteceu é o primeiro passo para achar uma solução que agrade ambos os lados. A comunicação é a solução para diversos problemas. A animação tem excesso de fofura, o jeitinho desengonçado dos Boov é de arrancar boas gargalhadas, o imperador é uma verdadeira figura. A história é bem tocante, a solidão está sempre presente nos diálogos e nos dilemas.

sábado, 26 de março de 2016

[Cinema] Donnie Darko

Donnie Darko é o tipo de filme que exige que o público procure informações externas para compreender toda a sua complexidade. Confesso que minha cabeça se resumia a dúvidas quando terminei de assistir o filme, tinha achado a história confusa e lenta, mas após pesquisar e entender o que cada elemento significava o enredo ganhou outra dimensão, o que me despertou a vontade de ler o livro (o que o filme foi inspirado e o que foi inspirado no filme) e conferir se todas essas explicações ficam claras, ou ainda mais confusas.

O primeiro detalhe que chamou atenção foi a técnica utilizada na composição da imagem, apesar de ser um filme de 2001, o enredo se passa em 1988 e visualmente ele parece ter sido gravado em 1980, a câmera utilizada, a lente, a iluminação, tudo remete a filmes produzidos naquela época, o figurino e o cenário se tornam apenas um detalhe na ambientação. A trilha sonora é outro ponto alto da produção, as músicas foram meticulosamente escolhidas para retratar a época, os grandes hits e a melancolia se faz presente em cada nota. 

O enredo relata a vida de Donnie Darko, um adolescente problemático com sintomas de esquizofrenia. O garoto com problemas de sonambulismo percorre a cidade na madrugada de 02 de outubro de 1988 guiado por um coelho imaginário, momento exato em que a turbina de um avião misterioso cai do céu e vai parar na cama de Donnie, fato que vai mudar os próximos 28 dias, 06 horas, 42 minutos e 12 segundos, momento exato que o universo acaba.

A relação de Donnie com o coelho Frank vai se estreitando, mensagens sobre o futuro são relatadas e a cidade começa a ser palco de diversos dramas inusitados, a escola que é inundada, o palestrante que mantem um calabouço de pedofilia em casa, o revolver no quarto dos pais, a garota fugitiva que acaba se apaixonando por Donnie. Tudo contribui para que o garoto cumpra a missão antes que o tempo se esgote, mandar a turbina de volta para o Universo Real.

Para rolar a explicação tem que rolar alguns spoiler.

O filme começa mostrando um pouco sobre a personalidade de Donnie e seus problemas, na madrugada do dia 02 de outubro de 1988 a turbina de um avião desconhecido cai em cima de sua cama, seria fatal se o coelho Frank não tivesse chamado ele a tempo para dar uma volta no campo de golfe em seu momento de sonambulismo. A turbina é o objeto, a primeira evidência da criação de um Universo Tangente, uma espécie de universo paralelo, mas que não acontece simultaneamente com o Universo Real, é apenas uma dobra no tempo, a quarta dimensão. O Universo Tangente não dura muito tempo, a tendência é que ele entre em colapso surgindo um buraco negro, quando isso acontece ele pode destruir o nosso Universo Real. 


O tempo descrito pelo coelho, 28 dias, 06 horas, 42 minutos e 12 segundos, é a duração que o Universo Tangente vai existir, por isso ele cita a destruição do universo, mas Donnie entende a destruição do todo e não apenas da dobra do tempo. Donnie é o receptor, o escolhido para guiar o objeto, a turbina do avião, de volta ao Universo Real, pois como existe a duplicidade do objeto no Universo Tangente pode ocasionar o colapso. A turbina que cai no dia 02 de outubro de 1988, é a mesma turbina que cai do avião no dia 30 de outubro de 1988, ou seja, no dia 02 de outubro de 1988 a turbina que está caindo é a mesma que está no avião estacionado no aeroporto, existindo assim a duplicidade do objeto.

O coelho é o garoto que Donnie mata no final do filme, quando alguém ligado ao receptor morre no Universo Tangente, ele vira o morto manipulado que vai orientar e proteger o receptor para que ele cumpra sua missão de mandar o objeto de volta ao Universo Real. A fantasia de coelho macabro é apenas a fantasia que Frank utilizava na hora que foi morto, assim como o seu olho machucado é o local que o tiro acertou. Assim como o morto manipulado, todos os vivos que estão ligados ao receptor vão ajuda-lo a mandar o objeto de volta ao Universo Real de forma inconscientemente.


Recapitulando a história: Frank salva Donnie de ter morrido esmagado pela turbina; a professora Karen ajuda Gretchen, a garota novata, a sentar junto de Donnie; Frank incentiva Donnie a inundar a escola fazendo com que no dia seguinte Donnie acompanhe Gretchen até em casa; Donnie e Gretchen se apaixonam e começam a namorar; 

Frank fala sobre a viagem que podemos fazer no tempo; Kenneth, o professor de física, faz uma breve explicação sobre a viagem no tempo e empresta o livro "A filosofia da viagem no tempo" escrito pela freira Roberta Sparrow (que também foi uma receptora), a Vovó Morte; Donnie percebe que tudo o que está sendo relatado no livro é o que está acontecendo com ele, fazendo com que ele escreva uma carta para a Vovó Morte relatando a sua experiência.


Donnie discute com Jim Cunningham, um palestrante de sua escola; Frank incentiva Donnie a colocar fogo na casa de Jim, fazendo com que os bombeiros encontrem um calabouço da pedofilia em seu porão; a professora Karen fala sobre a "porta da adega" para Donnie; a coreografa da irmã de Donnie vai ao tribunal defender Jim, fazendo com que a mãe de Donnie a substitua no torneio fora da cidade; Donnie organiza uma festa em casa, hora ideal para entregar a carta a Vovó Morte.

A casa da Vovó Morte possui uma porta de adega; Donnie e Gretchen são surpreendidos por dois garotos com facas nas mãos; durante a luta Gretchen é jogada para o meio da estrada e um carro a atropela; Donnie desesperado mata o motorista com um tiro no olho; o motorista é um garoto chamado Frank, fantasiado de coelho; a mãe de Donnie está em um avião passando pela dobra do tempo exatamente quando o portal se abre, fazendo com que a turbina seja retirada do Universo Tangente e retorne ao Universo Real.


Resumindo: Donnie precisava ter se apaixonado por Gretchen, para poder matar Frank, para que ele retornasse como o morto manipulado e ajuda-se ele a guiar o objeto de volta. Assim como era necessário fazer com que a mãe de Donnie substitui-se a coreografa e adianta-se o horário do voo para chegar mais cedo em casa, fazendo com que o objeto passasse pela dobra no tempo certo.

Após o objeto retornar ao Universo Real o tempo volta e estamos novamente em 2 de outubro de 1988, o Universo Real que estava pausado retorna a andar, o receptor, Donnie, lembra exatamente do que aconteceu, mas o restante dos personagens possuem apenas sentimentos e atos involuntários que remetem ao que aconteceu, como o Frank ainda vivo passando a mão pelo olho que foi atingido pelo tiro. A Vovó Morte continua esperando a carta de Donnie que nunca foi entregue.


Ufa! Agora QUASE tudo faz sentido, ainda não entendi a necessidade de ter a mãe de Donnie dentro do avião, já que ela pegou um voo comercial e as companhias aéreas escolhem os horários e rotas através de estudos e pesquisas, e não pela necessidade de um passageiro de chegar em tal hora em tal lugar, como acontece com os táxis, por exemplo. O fato de Donnie ser esquizofrênico deixa a dúvida do que é real e o que é imaginário, mas na versão do diretor entende-se que a explicação correta é a dos universos e da dobra no tempo, mas quando Donnie escolhe a morte significa que ele não fugiria da repetição dos fatos, não teria como fazer diferente, ou seja, os elementos continuariam aparecendo para guia-lo resultando na morte de Frank e Gretchen, então o Universo Tangente perderia o sentido.

O livro "A filosofia da viagem no tempo" é baseado em uma história real, o filme foi baseado nesse livro e atualmente a Editora DarkSide publicou uma nova versão com o roteiro original do cineasta Richard Kelly e depoimentos do elenco. Aliás essa história é uma grande incógnita, nada é certo, tudo é confuso, só resta a vontade de mergulhar de cabeça para tentar descobrir cada vez mais. 

quinta-feira, 3 de março de 2016

A Guerra dos Mundos - O Pânico da Invasão Alienígena


Uma das histórias mais aterrorizantes e curiosas sobre a invasão de extraterrestres aconteceu em 1938, ano anterior ao início oficial da Segunda Guerra Mundial, hoje o caso é lembrado como uma situação curiosa pelo erro de comunicação que provocou pânico em cerca de dois milhões de pessoas, época em que a população já estava aterrorizada devido os desfechos políticos que se encaminhavam a mais uma guerra. 

Na época o rádio era o único meio em que todos se informavam, as famílias se reuniam em volta do aparelho para escutar as últimas notícias e os programas de entretenimento, não foi a toa que o programa dirigido por Orson Welles foi tão devastador aos ouvintes do programa. Era Dia das Bruxas e a programação ia ser especial, a radionovela ia ser uma adaptação do enredo de H. G. Wells, o clássico Guerra dos Mundos, a história que relata a invasão violenta de extraterrestres.

O clima de boletim de notícia foi usado para ambientar o enredo, porém o que a produção não esperava é que os ouvintes que não tivessem escutado o aviso de que era apenas uma ficção, acreditassem piamente que era uma notícia real provocando desespero generalizado de pessoas buscando abrigo para se salvar da possível invasão de aliens. Esse mal-entendido é debatido até hoje como um exemplo sobre o poder da mídias de massa na população.



A Guerra dos Mundos teve duas adaptações para o cinema, a primeira em 1953 e outra em 2005, porém antes teve duas tentativas fracassadas de adaptação, uma dirigida por Alfred Hitchcock e outra de Cecil B. DeMill. O filme de 1953 que recebeu o Oscar de Melhores Efeitos Especiais, virou uma produção de referencia para a época, alguns países citavam o filme como uma previa do apocalipse. 

O filme de 2005 foi dirigido por Steven Spielberg e estrelado por Tom Cruise, apesar de ter sido sucesso das bilheterias, o filme não recebeu nenhum Oscar. A adaptação mostra um estivador divorciado que mantem uma relação distante de seus filhos, a sua ex-mulher pede que ele cuide das crianças por alguns dias, época em que ocorre a invasão alienígena e a derrota do exercito americano, fazendo com que ele lute para proteger os filhos e reencontrar a ex-mulher em Boston.


Além dos filmes teve a série War of the Worlds que é uma espécie de continuação da primeira adaptação, a série teve 2 temporadas, 43 episódios e foi exibida de 1988 a 1990. Curiosamente a série foi idealizada pelo produtor da primeira adaptação cinematográfica, George Pal, porém ele não conseguiu finalizar a produção dos episódios. O enredo começa com a descoberta que os alienígenas não foram mortos, que o governo escondeu os corpos em diversos locais dos EUA (alguns desses lugares existem para pesquisa espacial e segundo as lendas existem ET's presos lá) e o governo convenceu a população que o ataque nunca existiu, porém os aliens acordam e dominam alguns humanos reavivando o clima de guerra.

É interessante perceber que apesar do enredo ser de 1898 ele continua bastante atual, a população continua assustada com esse possível apocalipse, o governo continua escondendo as provas de vida fora da terra e os cientistas continuam pesquisando para provar que SIM, não estamos sozinhos!


[Cola&Bora] Clube da Caixa Preta | Sociedade das Relíquias Literárias

Tá sentindo? Brisa de bons ventos, gostinho doce de retorno, cheirinho suave de quem está se reconectando ao que nunca deveria ter sido esqu...