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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

[LIVRO] Eu Vejo Kate: O Despertar de um Assassino - Cláudia Lemes

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Tenho que dizer que fui sugada pela narrativa e só soltei quando terminei. Kate é uma escritora de Blessfield, interior dos EUA, que tem a missão de contar a história de Nathan Bardel, um serial killer de sua cidade natal. Ele matou e estuprou 12 mulheres ao som de música clássica, afinal, cada vítima merecia uma sinfonia, foi preso e condenado a morte, a publicação ia marcar o aniversário de um ano de sua execução.

Kate precisava entender como um morador da sua cidade natal se transformou em alguém com a mente tão doentia, capaz de torturar e humilhar tantas mulheres que não tinham feito nada contra ele. Entender sua mente era preciso se aproximar cada vez mais de quem ele era, detalhar o passo a passo de cada crime, confrontar o habitat de cada vítima, presenciar abusos, entender o que ele sentia, criar uma lógica para a sua motivação.

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Após ter acesso ao inquérito e entrevistar os investigadores que trabalharam no caso, Kate é intimada por seus editores a deixar o projeto de lado e focar em seu romance, não querem mais se envolver com os crimes de Bardel, mas se o caso já estava encerrado e o assassino morto, o que poderia impedir que fosse lançado um livro com os detalhes da investigação, algo estava errado naquela história.

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Assistindo a tudo, Nathan Bardel acompanhava todos os passos de Kate, o que ela pensava e sentia, o quão obcecada ela ficou para descobrir o que de grave estava encoberto naquela investigação. Ela não podia vê-lo, mas a alma de Bardel estava ao seu lado, deixando o ambiente cada vez mais pesado e tenso, ele também não sabia o que estava fazendo ali, mas estava gostando de ver seus crimes sendo detalhados.

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Ryan Owen é o agente do FBI responsável por capturar Bardel, o profiler que traçou o perfil do assassino e conseguiu chegar até ele. Após o caso, sua vida saiu dos eixos, separou de sua esposa e se afastou da polícia, vive em uma casa isolado do mundo. Ele é a peça fundamental para Kate entender o que se passava na cabeça de Bardel, foi ele quem colheu os depoimentos do assassino.

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Kate é do tipo que aceita migalhas, parece durona, mas está em frangalhos, tem um relacionamento abusivo, uma relação desestruturada com a família, cheia de vícios e gosta de se torturar. Bartel não sabe o que está fazendo ali, mas de alguma forma, revisitar seu passado e ter uma visão mais ampla dos fatos, está tornando tudo mais complexo. Ryan é assustadoramente inteligente e perspicaz, sabe quando estão lhe engando, ele consegue ler a verdade no rosto de quem quer que seja, mas é extremamente autodestrutivo e adora se torturar.

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O enredo é intenso e as cenas são bastante pesadas, os crimes tem uma dose de crueldade assustadora, que o leitor precisa ter um estômago forte para aguentar tudo. A narrativa é feita por diversos pontos de vista, temos uma noção de como cada um se sente diante de tanta crueldade e como cada um reage diante daquilo, todos os personagens saem de sua zona de equilíbrio para abraçar o que eles tem de pior, conhecer o lado mais obscuro do seu ser e não ter receio disso.

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A autora, Cláudia Lemes, escreveu tudo em sete dias, em um momento de frenesi, clinicamente deprimida, de luto e puta da vida com o mundo. Essa intensidade de sentimentos é perceptível na trama, tudo é muito denso e palpável, talvez foi a cereja do bolo na trama, a tensão é real, por isso o leitor consegue se envolver tanto com o enredo e muitas vezes o ódio parece que atravessa o espectador como um convite por vingança, sede de sangue.

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Eu Vejo Kate foi escrito originalmente em inglês, a autora é brasileira, mas já morou na Califórnia e no Cairo, por isso, não se assuste quando se deparar com ambientes e nomes estrangeiros. O enredo é muito bem escrito e estruturado, os personagens são complexos e verdadeiros, não são caricatos, o leitor sente a transição de emoções. O projeto gráfico está fantástico, Marina Avila maravilhosa como sempre, trabalho minucioso e cheio de detalhes, sou fã! Repararam no olho claro de Kate?! RECOMENDO imensamente para quem gosta de um bom suspense. 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

[COLA&BORA] Saral#2 | Eu vejo Kate

O primeiro COLA&BORA do ano tinha que ser todo especial, escolhi dois projetos de autores que eu acompanho há algum tempo, seja através das mídias, ou em eventos, dois artistas que admiro e que torço muito pelo sucesso em suas carreiras. O primeiro é poeta da terrinha (Fortaleza/CE), produtor cultural e articulador do movimento de todos os livros serem livres. O segundo é uma autora de suspense, daquelas que você lê uma série de elogios sobre e pensa "eu TENHO que ler essa obra". 

LIVRO - SARAL #2


Talles Azigon é poeta, produtor cultural, editor, mediador de leitura e articulador de movimentos que lutam por uma literatura acessível e livre, seja na liberdade do pensamento, seja na liberdade do objeto livro. Em 2017, lançou Saral#1, uma coletânea de poemas sem preço fixo e sem a interferência de editoras, literatura acessível para todos, independente de localidade, ou classe social.

Após muitos pedidos, o projeto ganha uma nova edição, agora as letras de Talles se misturam com as fotografias de Leo Silva, mas a ideia inicial continua a mesma, literatura livre e acessível. Leo é fotografo, videomaker e escritor, gosta de mostrar a grandiosidade do seu bairro, Jangurussu.

Os apoiadores do projeto, além de levarem para casa o livro, vão poder contribuir para a realização de diversos eventos, como um Sarau na Biblioteca Viva e doação de exemplares para o acervo, ação com o poeta Francélio Figueiredo na Livraria Lamarca, bate-papo na Matinê Tem História, entre outras formas de movimentar a cidade e incentivar a literatura local. 




LIVRO - EU VEJO KATE


Conheci o trabalho da Cláudia Lemes depois de lê diversos elogios sobre suas obras, hoje iniciou a campanha de relançamento de Eu Vejo Kate com direito a continuação inédita e projeto editorial da Marina Ávila. O enredo foi escrito em inglês em uma loucura de 7 dias. Lançado em 2014 de forma independente, relançado em 2015 pela Editora Empíreo, o enredo virou assunto entre os apaixonados por thriller e crime scene lovers, ganhando elogios da criminóloga Ilana Casoy.

A publicação está sendo relançada de forma independente, o enredo traz a história de uma escritora obcecada por um assassino em série, um agente do FBI que mergulhou fundo de mais em suas investigações, e um serial killer morto. Cruel. doido e sanguinário são alguns adjetivos que a autora usa para descrever o livro. Cláudia Lemes já publicou Um Martíni com o Diabo e Inferno no Ártico.

Os apoiadores poderão adquirir a duologia, ou apenas um dos livros, além de marcadores, canivetes personalizados, certificado de crime scene lover, canecas e frete grátis. Nas metas estendidas tem a doação de exemplares em bibliotecas públicas, o box pra quem comprou a duologia, aviso de porta. Sem contar que tem a possibilidade de receber os arquivos do FBI, transcrição de entrevistas e trechos de livros escritos pela protagonista.


[Cola&Bora] Clube da Caixa Preta | Sociedade das Relíquias Literárias

Tá sentindo? Brisa de bons ventos, gostinho doce de retorno, cheirinho suave de quem está se reconectando ao que nunca deveria ter sido esqu...