quinta-feira, 21 de abril de 2016

[Cinema] Ele Está de Volta

Se Hitler estivesse de volta, o que você falaria para ele? Talvez para muitos a resposta seria bem óbvia, mas calma, vamos tomar um café e debater sobre o mundo sem rotular com o termo "nazismo". Assustador imaginar que diversas pessoas achariam engraçado, curioso, ou até mesmo concordariam com seus atos, outros diriam que é errado, mas não saberiam explicar o motivo de ser errado, apenas querem uma selfie para ostentar entre os amigos, afinal é o Führer!

Você deve pensar que essa é uma hipótese completamente distante e louca, mas vamos olhar para o nosso cenário atual, o Brasil em crise e a ideia da volta da ditadura militar é levantada como opção, tortura, censura e tudo o que tem direito. Absurdo! Mas agora vamos para o cafezinho e tirar a rotulagem, defensores dos torturadores são idolatrados, a tortura é defendida em caso de crime (lembrando que os militantes eram considerados criminosos) e a censura é aceitável em alguns casos. Discurso confuso... talvez.

Terminei de assistir o filme Ele está de volta há poucos minutos e me sinto extremamente assustada quando faço essa comparação, o nazismo parece tão longe da nossa realidade e quando paramos para refletir por um minuto, descobrimos que o nosso país defende coisas tão absurdas quanto. O filme era para ser apenas uma comédia, mas os diversos depoimentos gravados espontaneamente são no mínimo perturbadores, a idolatria por Adolf Hitler chega a ser patética.

Após anos desacordado, Hitler acorda em Berlim de 2011 completamente confuso, o céu não tinha mais caças e o barulho de tiros tinha cessado, os passarinhos cantavam e as crianças brincavam livres no meio da rua. Na busca por informações Adolf questiona algumas crianças, pedestres, até ir parar em uma banca de jornais onde consegue abrigo e as notícias em primeira mão.

Um cinegrafista desempregado descobre aquele personagem e leva o Führer para a TV, ele é a nova sensação da emissora, todos acham a figura extremamente engraçada e com criticas bastante ajustadas e pontuais, suas propostas de reformas vão desde a programação da TV que se resume a programas culinários, até a mistura da raça dos cachorros. Hitler era a nova sensação da mídia.

O assustador é que diversas cenas foram gravadas com câmeras escondidas, ou como se fosse um documentário, das quais mostravam o ator caracterizado visitando diversas cidades da Alemanha conversando com pessoas aleatórias sobre a situação atual do país, mistura de raças, doenças, estrangeiros, programação da TV, entre outros, e a reação era um receio inicial seguido de uma concordância e idolatria pelas ideias que Hitler defendia.

Poucos foram os que se indignaram diante da situação, a grande maioria achou divertido, interessante e bem "adequado", o enredo que foi criado ali deixava bem claro que na Segunda Guerra Mundial o nazismo ganhou adeptos da mesma forma, Hitler carismático ganhou a simpatia da população, mesmo sendo totalmente transparente em seus ideais conseguiu ser eleito e só então ganhou poder suficiente para fazer o que fez, o mesmo processo se repetia, simpático, ganhou seguidores e já ocupava toda a programação do canal com picos de audiência.

No final Hitler afirmava que ele continuava vivo dentro de cada alemão e a produtora do filme questionava se após 70 anos a população alemã tinha realmente superado essa tragédia. O filme é baseado em um livro de mesmo nome do escritor Timur Vermes, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca, na Alemanha o livro foi comercializado por € 19,33 uma analogia ao ano que ele virou o Chanceler do país após as eleições.

2 comentários:

  1. Encontrei seu blog e é uma honra estar a ver e ler o que escreveu, quero felicitar-vos, pois é um bom blog, sei que irá sempre fazer o melhor, dando-nos boas noticias, e bons temas.
    Quero aproveitar a oportunidade para partilhar o meu blog : Peregrino E Servo.
    Vou ficar muito feliz se tiver a gentileza de fazer uma visita ao meu blog.
    PS. Se seguir, fique a saber que irei seguir também seu blog, se o conseguir encontrar.
    António Batalha.
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