sexta-feira, 14 de junho de 2019

[Contos&Fadas] Cinderela


Os Contos de Fadas são narrativas destinadas ao público infantil, que tem o objetivo de trazer alguma lição para as crianças, afastando-as do perigo, usando a metodologia do medo, personificando as ameaças em bruxas, ogros, monstros. Conhecidas por contos exemplares, é possível também observar a valorização da esperteza e do trabalho. Os enredos inicialmente tinham um final triste, mas ao longo dos anos foi transformado no "felizes para sempre".

Cinderela foi escrita por Charles Perrault, publicado em 1697 na coletânea Contos da Mãe Gansa, o enredo foi inspirado nas memórias populares italianas da Gata Borralheira. Além disso, existem relatos da garota que vivia entre as cinzas do fogão na Indochina em 860 a.C., citações sobre na comédia Ulissipo de Jorge Ferreira, em 1546, Portugal. O noivo calçar o pé da noiva é um símbolo jurídico do casamento germânico medieval, uma referência ao sapatinho de cristal.

Como não poderia deixar de ter, Cinderela também tem sua versão pela ótica dos Irmãos Grimm, o enredo é bem parecido com o de Charles, mas no lugar da fada-madrinha a ajuda vem dos pombos e da árvore que nasceu no túmulo de sua mãe, a transformação é orquestrada pela própria menina que cita palavras mágicas. No final, as irmãs malvadas tem os olhos perfurados pelos pombos, as deixando cegas. Ainda existem outras versões que afirmam que a fada madrinha é na verdade o espirito de sua mãe e o vestido é um presente do céu.


O enredo foi um despertar de sonhos para as jovens da idade média, tempo em que para pertencer a nobreza, era preciso nascer com sangue real, mas a personagem mostrou que a ascensão se deu por amor, independente de título. Além do amor, podemos ressaltar que o enredo também fala sobre a recompensa após o sofrimento, a vitória do bem contra o mal, a inveja e, por fim, a justiça.

Cinderela é um dos meus contos de fadas favoritos, talvez por isso eu tenha tido contato com tantas versões sobre a mesma história, mas vale sempre ressaltar que o enredo foi construído em outro século, época em que as mulheres se submetiam a muitas coisas por falta de direitos, mas hoje não precisamos esperar o "príncipe no cavalo branco" para sermos salvas, podemos ir a luta e garantir nossos direitos, somos capazes e fortes para combater a opressão. GO GO!



CINDERELA - Coleção Clássicos Infantis - Editora Moderna
Recontado por Giselda Laporta Nicolelis || Ilustrado por Rogério Borges

A narrativa é feita através de rimas cruzadas, pequenos estrofes com quatro versos musicados, vão dando forma ao enredo. Essa versão é bastante enxuta e não se foca no sofrimento da Cinderela, rapidamente passamos pela morte de seu pai e a sua transformação em Gata Borralheira, logo já temos o rei querendo netos e o príncipe solteiro dando o baile. A madrasta imediatamente proíbe Cinderela de participar do evento, por enquanto suas filhas malvadas brigam pelos vestidos e adornos. Sozinha na cozinha a fada madrinha aparece e a transforma na princesa mais bela, Cinderela vai ao baile e depois foge do príncipe. Doente de amor, o rei manda os arautos irem atrás da donzela que conquistou seu filho, após muitas buscas finalmente acham a menina suja de cinzas. E viveram felizes para sempre! As ilustrações são bem realistas e parecem colagens. A edição ainda traz algumas curiosidades sobre a obra original.

"No tal reino, nunca antes 
tantos sinos repicaram...
Cinderela e o príncipe,
de alegria, até choraram."

segunda-feira, 11 de março de 2019

[LIVRO] O Ratinho, O Morango Vermelho Maduro e O Grande Urso Esfomeado - Don e Audrey Wood

O que fazer quando um grande urso faminto sente o cheiro de um morango vermelho maduro que um pequeno roedor acabou de colher? Não adianta correr, ou se esconder, o grande urso faminto vai sentir o cheiro daquele morango vermelho maduro e vai achar o bichinho. Em uma fábula divertida e bem humorada, o enredo traz a história da esperteza dos pequenos contra a força dos gigantes.

Indicado para crianças entre 2 e 7 anos, o narrador tem participação ativa no enredo, ao ver o ratinho com uma escada para colher o morango vermelho maduro, ele começa a relatar a história do grande urso faminto, juntos eles tentam encontrar um meio para que o grande urso faminto não pegue o morango vermelho maduro.

A repetição de frases é uma técnica utilizada na narrativa, o que pode ser usado para auxiliar as crianças que estão em fase de letramento. O narrador ter uma conversa direta com o ratinho, permitindo que os pequenos leitores façam parte da história ativamente, observando as expressões do roedor a cada exclamação de como podem salvar o morango, é possível até criar dinâmicas em que a criança crie novas formas de esconder o morango do grande urso faminto.

O ilustrador Don Wood conseguiu dar vida as expressões e sentimentos do ratinho, com pintura aquarelada, Don conseguiu trazer nostalgia ao enredo, lembrando os velhas fábulas que nossas mães liam ao nos por na cama. A escritora Audrey Wood traz realidade aos diálogos, nos transportando ao cenário em que o ratinho faz a sua colheita. No fim, aprendemos que não devemos ter medo, e sim enfrentar os desafios com soluções criativas. RECOMENDO!

sexta-feira, 8 de março de 2019

[SÉRIE] The Good Place

Ah, imagina se no final da vida, São Pedro, dono da chave do céu, pegasse a relação de todas as suas atitudes, as verdadeiras intenções, e desse pontos para cada ação. Se fosse algo positivo somava o valor equivalente a ação, mas se fosse negativo, o valor era subtraído. Um detalhe, ele sabe exatamente quando você faz algo apenas visando a autopromoção, o que faz com que qualquer boa ação se torne péssima se a intenção for errada.

Nessa somatória, Eleanor, Tahani, Chidi e Jason vão parar no bom lugar, algo um pouco contraditório, já que eles não possuem, digamos, um currículo invejável. Cada morador do Bom Lugar recebe uma casa decorada com exatamente tudo que você mais gosta, do jeitinho que vai te garantir a felicidade eterna, incluindo uma alma gêmea, aquele amor feito especialmente para você. A vizinhança tem tudo o que você possa desejar, como lojas de sorvete de iogurte em cada esquina, quem não iria sonhar com isso?! Eu não.

Entre todas as mansões do Bom Lugar, Eleanor recebe uma casinha típica da classe média, com pinturas de palhaços e máquinas de camarão, exatamente o que ela não queria, o que era bastante estranho, pois o lugar devia ser a personificação do que ela mais gostava na vida e nem palavrão ela conseguia falar. A esperança continuava viva, pois cada morador tinha sua alma gêmea e ela deveria ter uma que fosse a combinação perfeita, mas na verdade, é só Chidi, um nerd professor de ética, que não consegue tomar uma simples decisão, o oposto de todos os homens que ela já se relacionou.


A mansão mais luxuosa da cidade é da filantrópica Tahani, uma mulher milionária que investiu toda a sua fortuna em missões humanitárias e organizando eventos para arrecadar fundos para ajudar causas sociais. Uma pessoa maravilhosa, que com certeza deve está no topo dos mais bem pontuados, se não fosse suas brigas constantes com sua irmã e a inveja de seu sucesso. Seu par perfeito é um monge que fez voto de silêncio pouco tempo antes de morrer, e assim Jason permanece nesse silêncio sepulcral até a sua eternidade.

Algo de muito errado estava acontecendo ali, nenhum dos quatro estava com a vida perfeita como prometida por Michael, o arquiteto do Bom Lugar, Eleanor não era essa mulher que todos pensavam, ela não tinha lutado pelos direitos humanos, nem salvado condenados a morte, sem contar que tudo que ela fazia de alguma forma voltava contra todos os moradores do Bom Lugar de forma grotesca. A ida deles para aquele lugar era um engano, só podia ser um engano, não tinha outra explicação, mas ir para o Lugar Ruim não era uma opção, isso não, jamais!


The Good Place consegue falar da vida pós-morte de forma bem humorada, sem almas, ou espíritos zombeteiros, apenas alguns anjos e muito demônios, muitos, mas nada assustador. O roteiro é leve e os episódios são curtinhos, você assiste a série de uma vez sem nem sentir. Os personagens não são caricatos, alguns beiram ao insuportável, mas nada que algumas cenas depois você não esteja gargalhando com alguma constatação que eles fizeram sobre a vida. 

O roteiro é bem construído, a trama é cheia de pontos de virada e nada previsível, quando a gente pensa que vai ficar na mesmice, lá vem uma tirada que você nem imaginava. As piadas são leves, mas bem elaboradas, são simples mas não ao ponto do expectador se sentir um babaca, nem complicados ao ponto do expectador precisar ter um conhecimento prévio de política e filosofia, são apenas piadas leves e bem construídas, que faz com que o público consiga se identificar com elas.


Aliás, é impossível assistir a série e não ter um segundo de auto reflexão, mesmo com o cenário fantasioso e as situações exageradas, questionar o porque é tão difícil encontrar alguém que segure uma porta, dê um bom dia, ou simplesmente sorria com sinceridade, virou algo quase impossível nos dias de hoje. Ou até mesmo encontrar alguém que consiga "ganhar pontos" sem ter uma cadeia de segundas intenções que prejudique o mundo de alguma forma. Que louco! Que real! Calma, já pensou qual foi a última vez que você fez algo sem esperar algo em troco?! RECOMENDO!

sábado, 9 de fevereiro de 2019

[CINEMA] Dumplin


Daqueles longas, tipo sessão da tarde, que você tem vontade de assistir mil vezes, só para ficar com aquele sorrisinho bobo no rosto, mas se engana quem pensa que vai ser mais um clichê de uma adolescente preocupada com o corpo, tentando se encaixar nas imposições da sociedade padrão. Dumplin é a adaptação da obra homônima de Julie Murphy, livro publicado no Brasil pela Editora Valentina (disponível na Amazon com 50% de desconto e de graça no Unlimited).

O enredo vai sendo conduzido através dos ensinamentos e lembranças da Tia Lucy, personagem que tem papel fundamental no desenvolvimento da personalidade da sobrinha Willowdean Dickson, uma adolescente gorda e filha de ex-miss. Will é bem resolvida com o corpo, não tenta se encaixar a qualquer custo nos padrões de beleza impostos pela sociedade, mas lá no fundo ainda precisa trabalhar sua autoestima e sua aceitação.


Piadinhas em relação ao seu peso foram constantes em sua vida, mas sempre soube enfrentar tal situação e nunca se deixou abater por isso, exceto quando é chamada de Fofinha. Apelido carinhoso dado por sua mãe, o adjetivo é só uma forma de criticar o seu peso. Rosie imersa no mundo dos concursos de beleza e do padrão fitness, se envergonha de ter uma filha fora dos padrões e que não pode repetir o seu feito de ganhar a coroa.

Nessa lacuna que existe entre mãe e filha, a figura da Tia Lucy se fortalece como um modelo de comportamento a ser seguido, amadurecendo o caráter de Will, elevando sua autoestima e ajudando a garota a perceber quem ela é de fato e como ela pode enfrentar as adversidades da vida. Mesmo não estando presente, são nos objetos que Tia Lucy deixa, assim como suas frases emblemáticas que ajudam a clarear o turbilhão de pensamentos que passa na cabeça de Will, assim como as músicas de Dolly Parton que acompanham a protagonista em todo o filme.


Em meio a tantos objetos, Will encontra uma ficha de inscrição que sua Tia Lucy preencheu no desejo de concorrer em um concurso de beleza, o mesmo que sua mãe ganhou a coroa. Cansada de ter os padrões ditando o que se pode, ou não fazer, Will se inscreve no mesmo concurso que sua Tia pensou em se inscrever, afinal, o regulamento não cita nada relacionado a peso.

Além do protesto contra os esteriótipos, Will também queria atingir sua mãe de alguma forma, porém o feito causou um efeito dominó, pois outras meninas também desejavam participar do concurso, seja para realizar um sonho, ou apenas para apoiar o seu protesto. Ellen, sua melhor amiga, também aceita o desafio de participar do concurso, uma forma de apoiar sua escolha e se divertirem juntas. Porém ela tem um papel fundamental quando Will começa a sair da linha, e não percebe o quanto está magoando as pessoas a sua volta.


Como todo bom filme adolescente, também tem o bonitão do colégio que todas as meninas são loucas por ele, entre elas a nossa protagonista. Bo trabalha na mesma lanchonete que Will, são nas interações com ele que percebemos o quanto ela é insegura com o próprio corpo, achando que é impossível um homem tão atraente como Bo se apaixonar por alguém como ela. Nesse ponto, Ellen aparece contando que também se sente insegura com o próprio corpo, mas que é necessário saber enfrentar essa situação, para não nos privar de fazermos o que temos vontade.


Um dos pontos fortes é que o enredo não se resume a uma tentativa de romance, ou a uma tentativa de seguir os padrões, mas na construção de uma personagem forte e pronta para lutar por seus ideias, diversas vezes enfrentando até os seus próprios preconceitos. Fica a lição que a normativa aceita pela sociedade não limite nossos passos, ou paralise nossos sonhos, mas que seja só mais um obstáculo que deve ser enfrentado e vencido. O enredo não é apenas maravilhoso, é necessário!


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

[COLA&BORA] Saral#2 | Eu vejo Kate

O primeiro COLA&BORA do ano tinha que ser todo especial, escolhi dois projetos de autores que eu acompanho há algum tempo, seja através das mídias, ou em eventos, dois artistas que admiro e que torço muito pelo sucesso em suas carreiras. O primeiro é poeta da terrinha (Fortaleza/CE), produtor cultural e articulador do movimento de todos os livros serem livres. O segundo é uma autora de suspense, daquelas que você lê uma série de elogios sobre e pensa "eu TENHO que ler essa obra". 

LIVRO - SARAL #2


Talles Azigon é poeta, produtor cultural, editor, mediador de leitura e articulador de movimentos que lutam por uma literatura acessível e livre, seja na liberdade do pensamento, seja na liberdade do objeto livro. Em 2017, lançou Saral#1, uma coletânea de poemas sem preço fixo e sem a interferência de editoras, literatura acessível para todos, independente de localidade, ou classe social.

Após muitos pedidos, o projeto ganha uma nova edição, agora as letras de Talles se misturam com as fotografias de Leo Silva, mas a ideia inicial continua a mesma, literatura livre e acessível. Leo é fotografo, videomaker e escritor, gosta de mostrar a grandiosidade do seu bairro, Jangurussu.

Os apoiadores do projeto, além de levarem para casa o livro, vão poder contribuir para a realização de diversos eventos, como um Sarau na Biblioteca Viva e doação de exemplares para o acervo, ação com o poeta Francélio Figueiredo na Livraria Lamarca, bate-papo na Matinê Tem História, entre outras formas de movimentar a cidade e incentivar a literatura local. 




LIVRO - EU VEJO KATE


Conheci o trabalho da Cláudia Lemes depois de lê diversos elogios sobre suas obras, hoje iniciou a campanha de relançamento de Eu Vejo Kate com direito a continuação inédita e projeto editorial da Marina Ávila. O enredo foi escrito em inglês em uma loucura de 7 dias. Lançado em 2014 de forma independente, relançado em 2015 pela Editora Empíreo, o enredo virou assunto entre os apaixonados por thriller e crime scene lovers, ganhando elogios da criminóloga Ilana Casoy.

A publicação está sendo relançada de forma independente, o enredo traz a história de uma escritora obcecada por um assassino em série, um agente do FBI que mergulhou fundo de mais em suas investigações, e um serial killer morto. Cruel. doido e sanguinário são alguns adjetivos que a autora usa para descrever o livro. Cláudia Lemes já publicou Um Martíni com o Diabo e Inferno no Ártico.

Os apoiadores poderão adquirir a duologia, ou apenas um dos livros, além de marcadores, canivetes personalizados, certificado de crime scene lover, canecas e frete grátis. Nas metas estendidas tem a doação de exemplares em bibliotecas públicas, o box pra quem comprou a duologia, aviso de porta. Sem contar que tem a possibilidade de receber os arquivos do FBI, transcrição de entrevistas e trechos de livros escritos pela protagonista.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

[LIVRO] Quero Colo! - Stela Barbieri e Fernando Vilela

Quero colo1

Depois de serem prontamente iludidos, os livros da campanha Leia Para Uma Criança 2018 finalmente saíram da pilha das "próximas leituras" para dos "lidos". As escolhas dos títulos pelo Itaú trazem os sentimentos como ponto em comum, um traz o conforto e proteção de um colo quentinho, o outro traz o conflito de ser contrariado. Hoje vou falar sobre Quero Colo!, próxima segunda do outro espinhento e seus conflitos.

Quero colo2

Quero colo6

Quero Colo! veio como uma leitura obrigatória, em tempos que amamentar é um tabu e acolher os filhos quando choram é errado, o enredo retrata os sentimentos de proteção que sentimos ao receber e dar colo a alguém. Seja de proteção, ternura, conforto, o colinho jamais deve entrar em extinção, deve sempre está disponível para quando for solicitado.

Quero colo3

As ilustrações que acompanham cada momento do enredo são riquíssimas em detalhes e diversidade, retratando características de vários povos e costumes, alem de retratar o cotidiano das pessoas e dos bichos. A escritora Stela Barbieri e o ilustrador Fernando Vilela pesquisaram a forma que as crianças eram ninadas pelo mundo, o projeto se transformou em livro e essas imagens virarão ilustrações.

Quero colo4

Nessa mistura de sentimentos e lembranças, ambos trabalharam no texto e nas ilustrações, foram escritor e ilustrador, usaram lápis preto, pincel, carimbos, o cheirinho do colinho da Vó Elza, as histórias no colinho das tias, os livros no colinho do pai e no carinho do colo da mãe. Assim nasceu  Quero Colo!, uma moldura para esse retrato que é tão significativo.

Quero colo5