sábado, 18 de abril de 2015

[Livro] O Substituto - David Nicholls

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Um ator esperando a grande oportunidade. Stephen C. McQueen, com PH, tem uma longa carreira de figurante, já foi o cara que abre a porta, o morto, o fantasma, e hoje encara o papel de substituto, caso o grande astro Josh Harper não possa atuar, Stephen está lá para substitui-lo, porém é algo bastante improvável, pois apesar das bebedeiras e farras do 12º homem mais sexy do mundo, ele nunca fica doente, nunca!

A vida de Stephen não está lá essas coisas, além dessa posição medíocre de substituto de celebridade, seu apartamento é uma pocilga de paredes vermelhas, seu casamento chegou ao fim, sua ex-mulher está se relacionando com um cara boa pinta e bem sucedido, sua filha acha Stephen um grande desastre e pra completar entrou em uma fossa sem fim, noites regadas de muita bebedeira e lamentações.

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Josh Harper é tudo o que Stephen gostaria de ser, protagonista de filmes de grande sucesso, famoso, uma gorda conta bancária, mulheres ao seu dispor e um ego bastante inflado. O 12º, assim como os outros atores o chamam, precisa massagear o ego em instante em instante, se tornando alguém egoísta e mimado, sempre justificando seus erros com sua auto-estima "baixa", dai a necessidade de ser paparicado.

Em uma festa equivocada na casa do astro, Stephen entre uma taça de vinho e um comprimido de analgésico conhece Nora Harper, a divertida esposa de Josh. Diferente do marido, ela detesta aquele mundo de futilidades e tudo o que ela quer é fugir daquela festa de egos. Inteligente e irônica ela viu em Josh a desculpa de abandonar sua carreira já fracassada, mas é em Stephan que ela vai encontrar o amigo que sempre precisou.

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O enredo vai se desenrolando em volta dessas 3 figuras, Stephan tentando encontrar a sua grande oportunidade, Josh sendo uma celebridade irresistível, e Nora tentando se salvar. Passei boa parde do livro tentando achar o grande "Q" da trama, mas depois que finalizei a leitura entendi que a história é na verdade um clássico, um cara frustrado com inveja do boa pinta bem sucedida, e o que David Nicholls fez foi pegar algo tão batido e deixar de forma bem suave e natural, fazendo com que o leitor se delicie com o mundo de Stephen

Se você me perguntar qual a grande cena do enredo, vou ser bem sincera, não sei! Na verdade, não sei ao certo o porque que eu gostei da leitura, achei a trama em si fraca, mas me senti tão bem e tão leve durante toda a leitura, mas não pelo enredo ser bobinho, alias tem alguns diálogos que são bem persistentes que me deixou com aquela inquietação, mas porra, como eu vou dizer que o livro é ruim se ele me deixou viciada, me trouxe uma paz de espirito tão grande e me tirou daquela fadiga literária que eu estava? Só tenho que dizer que o livro é MARAVILHOSO!

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Porém de forma mais técnica e não tão sentimental: O livro é narrado em terceira pessoa, fazendo com que o leitor possa passear pela história dos três protagonistas. Os personagens são muito bem construídos e reais, nada daquelas cenas caricatas. O enredo é bastante enxuto, o que te da uma sensação de "falta de história", mas quando você termina a leitura, você nota que o que foi escrito foi apenas o necessário, mas que poderia ter tido mais ritmo. 

Sou suspeita para falar sobre a escrita de David Nicholls, pois acho super envolvente e contínua, você sempre cai naquela onda de "só mais um capítulo" e quando se toca, o livro já acabou. O Substituto não foi diferente, apesar da falta de ritmo a leitura é bem envolvente e os capítulos curtinhos, o que faz a leitura ficar cada vez mais acelerada. 

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Outra coisa que gosto dos enredos de David, e que em O Substituto não foi diferente, é que apesar da base da história ser bem batida, a maneira que ele a conduz faz com que o leitor fique cada vez mais preso. Algumas cenas você jura que o personagem vai tomar uma atitude comum em livros do gênero, mas simplesmente ele se levanta e vai embora, o leitor fica com cara de "Ei rapaz, para onde você vai? Volte aqui que a nossa conversa não acabou!". E quando você tiver passando por uma fase meio Stephen lembre-se: "Nós sempre podemos ir a Paris". Recomendadíssimo!

Bonne nuit, bonne chance

Um comentário:

  1. Oi Ney!
    Ahhh, eu só tentei me aventurar no livro Um Dia, e apesar das críticas positivas, não tive um pingo de vontade de terminar devido ao desfecho que a obra teve. Daí em diante, fiquei super desanimado com o livros do autor, embora ache essa capa bem charmosa. Quem sabe eu não dê uma chance, começando por ele.

    Abraços
    David Andrade
    http://www.olimpicoliterario.com/

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