domingo, 30 de outubro de 2016

O Candidato Amigo do Povo - Confirma!


O assunto que invadiu as nossas vidas nesse mês foi o tal do segundo turno, as feituras do candidato A, as promessas do candidato B e a torcida do tanto faz, seja A, B, nulo, branco, ou sei lá, porque tanto faz. No começo do Séc XX um candidato amigo do povo foi eleito vereador de Fortaleza, um retirante que veio para a capital fugindo da seca de 1915 e que logo ganhou a simpatia local.

Nessa época eu sempre lembro dessa figura icônica, o candidato que chegou na capital e a família teve que vende-lo para poder ter como sustentar aquela nova vida. Um empresário americano fez questão de compra-lo, mas travesso como era o candidato fugiu e ficou perambulando pela cidade, conheceu escritores, fez amizade com a alta sociedade, virou a figura estimada de todas as rodas de conversa.

Uma bela dose de cachaça era sempre bem-vinda, o convite para aquele drink era indispensável. Todos os dias ele fazia o mesmo trajeto, passava pela praia, próximo ao Mercado dos Peixes e vinha andando até o centro, parava para bater um papo na Praça do Ferreira, ponto de encontro das figuras mais importantes da época, onde discutiam os assuntos mais polêmicos da cidade.

Amigos ele tinha em toda parte, dizem as más línguas que vários casamentos foram desfeitos por causa dele, era um paquerador e as damas estavam sempre dispostas a trocar um carinho com o candidato. Até que uma lei local foi imposta e todos os animais vistos no meio da rua iam ser apreendidos e o dono iria pagar uma multa, afinal a capital estava passando por uma limpeza.

Lutar contra aquela lei absurda fez com que ele fosse eleito o vereador de Fortaleza, figura tão importante que seu corpo foi embalsamado e exposto no Museu do Ceará. Detalhe que ele nunca foi candidato, mas como o voto era de papel, quem se importava. Celebridade ele se tornou e tão importante que era, um visitante do museu arrancou parte do seu corpinho para levar de lembrança.

Ah, devo ressaltar que a história é verídica e nenhuma virgula inventada, visite o Museu do Ceará que estará na sala vermelha o corpinho do Bode Ioió (animal), o nosso vereador eleito pelo voto manipulado. Fazendo a conexão rápida com a política atual: o tal amigo do povo continua sendo eleito trazendo um plano de governo egoísta, o povo continua sendo enganado e aceitando calado o que eles querem fazer com a gente, afinal, tanto faz, mas será mesmo que tanto faz?

#aLUTAcontinua

domingo, 23 de outubro de 2016

[Cinema] Perigos da Mente | Perigos da Rede

Aproveitei o domingão para assistir filminhos, mas minhas escolhas não foram tão felizes assim, escolhi dois suspenses com a pegada mais psicológica, porém ainda estou esperando a grande virada nada previsível que iria levar o título as cabeças. Aos amigos que adoram indicar longas memoráveis, por favor não esqueça de deixar uma listinha nos comentários, faço questão!

PERIGOS DA MENTE
Após ter sido sequestrada, Emily Moore vive o medo de que o maníaco ataque novamente, a investigação da polícia não apontou nada conclusivo e para evitar mais pânico ela se afastou dos holofotes recusando diversos trabalhos como atriz. Tentando relaxar Emily e o marido, Richard, viajam até uma ilha do Mediterrâneo buscando um pouco de paz.

A casa é invadida por Sarah, uma jovem que viu seu namorado cair de um precipício e precisa de ajuda urgentemente. Emily acha uma péssima ideia manter aquela estranha dentro de casa, mas Richard é psicólogo e acha que a sua obrigação é ajudar a garota.

O enredo vai se desenrolando na medida que Emily começa a ter surtos e Richard tenta convence-la que o que ela está vendo é só reflexo de sua mente traumatizada. O fim é totalmente previsível, mas inconclusivo, algumas pontas ficaram soltas e muitas perguntas ficaram no ar. Odeio quando os personagens não criam aquele laço afetivo com o público, a Emily não cresceu no decorrer da história, o Richard é um dissimulado e a Sarah uma sonsa. Tantas possibilidades, mas nenhum sucesso.



PERIGOS DA REDE
História baseada em Thomas Montgomery, um maquinista de 47 anos que mata o colega de trabalho por ciúmes. Tommy é a identidade virtual de Thomas, um fuzileiro naval que joga poker para aliviar o stress, em uma dessas rodadas ele conhece Jessi tallhotblond, uma jovem virgem cheia de fotos provocantes.

O casamento de Thomas não é mais o mesmo, a paixão acabou e a relação está por um fio, Tommy se torna o seu refúgio, o sexo virtual faz com que ele se sinta jovem de novo e capaz de tudo. Porém as coisas começam a se complicar quando o virtual e o real se misturam e a relação passa a afetar, não só o seu casamento, mas o seu trabalho.

Apesar do enredo interessante, o filme é lento e cansativo, a crise de meia-idade de Thomas acentua o seu lado doentio e tolo. O final é surpreendente e um tanto quanto questionável, será que depois de todas as mensagens trocadas e as provocações apenas um é o culpado? O romance aconteceu nos EUA em 2006.


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Os Livros de Pat Peoples - O Lado Bom da Vida


Pat Peoples era um bufão iletrado, pelo menos era assim que os amigos de Nikki o chamavam, ele não tinha lido nenhum livro que a esposa mencionava nas aulas, ou nas rodas de conversas, ele era de fato um bufão iletrado. O tempo separados iniciou e Pat tomou uma decisão: ele não queria mais ser um bufão iletrado, pediu para a mãe abrir uma conta na biblioteca e começou a ler todos os livros que a sua ex-esposa já tinha mencionado, eles finalmente iriam poder conversar sobre os livros que ela mencionava e ele não iria mais ser chamado de bufão iletrado

Entre tantas leituras, Pat citou alguns títulos durante o enredo, alguns perturbadores, outros sagazes, mas todos que valem a pena virar a noite lendo. Pat Peoples é o protagonista de O Lado Bom da Vida de Matthew Quick [resenha], um bufão iletrado que mergulhou no mundo da literatura.


O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald) - Apesar da grande paixão, Daisy se casa com o insensível, mas extremamente rico, Tom Buchanan. Com o fim da guerra, Gatsby se dedica cegamente a enriquecer para reconquistar Daisy. Já milionário, ele compra uma mansão vizinha à de sua amada em Long Island, promove grandes festas e aguarda, certo de que ela vai aparecer. Nick aluga uma casinha modesta ao lado da mansão do Gatsby, observa e expõe os fatos sem compreender bem aquele mundo de extravagância, riqueza e tragédia iminente. - Skoob
Adeus às Armas (Ernest Hemingway) - Romance de tom autobiográfico publicado em 1929. Conta a história um tenente norte-americano Frederic Henry, que serve no exército italiano durante a Primeira Guerra Mundial como condutor de ambulâncias. O romance desenvolve-se em torno da sua trágica paixão por uma enfermeira inglesa. - Skoob

A Letra Escarlate (Nathaniel Hawthorne) - Durante o século XVII, na comunidade puritana de Massachusetts, nos Estados Unidos, o adultério era um crime punível com a morte. Entretanto, a jovem Hester Prynne recebe uma pena considerada leve pelos habitantes de sua cidade: ela é obrigada a levar a letra “A” de adúltera bordada em suas roupas pelo restante da vida, como marca de sua desonra. Hester enfrenta a humilhação diária e luta para criar sozinha a filha ilegítima. - Skoob


A Redoma de Vidro (Sylvia Plath) - Dos subúrbios de Boston para uma prestigiosa universidade para moças. Do campus para um estágio em Nova York. O mundo parecia estar se abrindo para Esther Greenwood, entre o trabalho na redação de uma revista feminina e uma intensa vida social. No entanto, um verão aparentemente promissor é o gatilho da crise que levaria a jovem do glamour da Madison Avenue a uma clinica psiquiátrica. - Skoob

Aventuras de Huck: Huckleberry Finn (Mark Twain) - Huck não é um menino impoluto, perfeito. É o garoto comum, com iguais defeitos e qualidades, que gosta mais do mato que da escola. É um garoto de verdade, em carne e osso. Seu pai é um bêbado e ele foge de casa para viver longe do pai, numa pequena ilha do Mississípi, onde começam suas aventuras, nas quais o humor é constante, ainda nos momentos mais trágicos. - Skoob

O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger) - O estudante de um reputado internato para rapazes, volta para casa mais cedo no inverno depois de ter recebido más notas em quase todas as matérias e ter sido expulso. No regresso a casa, decide fazer um périplo adiando assim o confronto com a família. Antes de enfrentar os pais, procura algumas pessoas importantes para si  e tenta explicar-lhes a confusão que passa pela sua cabeça. - Skoob



Ao som de Kenny G, a música que tanto assustava Pat em suas crises nervosas, venho admitir que não li nenhuma das obras citadas, o que me deixa constrangida, mas diante de tantos enredos inspiradores venho convidar vocês para participar do Clube do Livro Bufão Iletrado, uma meta de leitura que estipulei para a minha vida e quero desafiar vocês a participarem.

Durante 6 meses quero fazer a leitura desses títulos, minha proposta é ler um livro da lista por mês e trazer a resenha com as minhas impressões para vocês. Se você quiser fazer parte desse desafio, leva o selinho para o seu blog, faz um post aceitando o desafio e é só começar a leitura, a ordem é você que escolhe, mas quem me acompanhar nessa caminhada vai ser mimado no final. Ah e só por controle, preenche aqui o formulário, pois quero te mandar as novidades do desafio: FORMULÁRIO.

Participe preenchendo o FORMULÁRIO!

sábado, 8 de outubro de 2016

[Livro] Flammifer - Silvana Brito

flammifer

Mais um livro infantil para a coleção, dessa vez uma aventura de respeito e coragem. Nardoc e Sirian estavam brincando na floresta quando encontraram um livro antigo perdido em uma caverna, curiosos usaram toda a força que tinham para abri-lo e folheá-lo, mas foi em vão. Cismados com o poder do objeto foram até a casa de Merien, a menina mais esperta da escola, para descobrir se ela sabia algo sobre aquele livro misterioso. 

Merien tentou, tentou, mas também não conseguiu. Depois de analisar o nome do livro chegou a conclusão que apenas uma pessoa sabia o que era Flammifer, o mestre dos duendes, o único que poderia traduzir uma palavra do Dragones Antigo, língua que já estava extinta há anos. Uma coisa era certa, eles tinham que descobrir o que aquele livro escondia.

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Os amigos correram para casa e pediram permissão aos pais para viverem aquela aventura, cada um ganhou um objeto que ia ser útil na jornada, um cajado que tinha o poder de abrir as águas do rio, pedacinhos de pão para os pássaros e um pingente de coração. Logo no início os objetos se fizeram úteis e os amigos entenderam que o perigo as vezes poderia estar escondido.

Algo estranho aconteceu durante essa jornada, os amigos estavam tendo o mesmo sonho, um dragão preso estava tentando escapar e a muralha que prendia ele começava a rachar, mas qual era o significado daquilo, qual era a missão deles? Conseguiram finalmente falar com o duende mestre e descobriram a grande tarefa que eles tinham nas mãos, mas nada seria possível sem a ajuda da população.

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Flammifer é um enredo cheio de lições, sobre respeito, natureza e união. A autora foi bem feliz na escolha dos diálogos, as vezes pequenos parágrafos traziam ensinamentos para as crianças, como a necessidade da permissão dos pais antes de sair de casa. A escrita é bem envolvente e ágil, o enredo em si é bem interessante, viraria um livro para adultos facilmente diante de todas as ações e aventuras apresentadas, aliás é uma bela aventura de união.

Terminaria a minha resenha por aqui, mas senti necessidade de criticar algo que me incomodou bastante quando fazia a leitura. Ao explicar como os duendes se organizavam politicamente a autora fez alusão ao cenário político atual do Brasil, mas a explanação defendia um ponto de vista e condenava outro. Confesso que me senti ofendida com o trecho em questão, acredito SIM que livros infantis devem trazer questões sérias de forma lúdica para as crianças, eles precisam entender o mundo e ver que ele não se resume apenas ao caminho de casa para o colégio e vice-versa.

Porém, NÃO, livros infantis não devem ser tendenciosos contando a sua versão dos fatos e usando heróis e dragões para isso. Escrever para crianças é algo tão delicado, pois elas estão em fase de formação, ainda estão aprendendo, ainda estão descobrindo o mundo e os escritores devem ter um cuidado redobrado para que algo não seja entendido de forma equivocada. O livro é ÓTIMO, mas reescreveria esses parágrafos tendenciosos.