domingo, 24 de fevereiro de 2013

O barulho do mar acha até os mais perdidos.


Correr na praia sempre me ajudava a pensar com mais calma, organizar as ideias. Esses dias pareciam que tinham virado a minha vida de ponta-cabeça, passei de uma sequencia de dias corridos e estimulantes, para uma sequencia de dias iguais, com uma coleção de fatos sem importância, nada que me gerasse ansiedade para concluir algo. Apesar dos fones, eu ainda conseguia escutar o barulho das ondas e de alguns pássaros cantando baixinho, fazendo dueto com a música da J.Lo.

A maré estava alta, e o mar estava com uma tonalidade marrom devido as algas. O que mais me assustava é que a minha pastinha de sonhos ainda continuava lá, cheia de objetivos e desejos, mas parecia que eles estavam cada vez mais confusos, perdidos, ilegíveis, não estava conseguindo mais enxergar até o mais obvio. Mais a frente tinha um homem moreno, devia ter uns 30 anos mais ou menos, usava uma bermuda branca com uma camiseta laranja, em seu ombro direito dava pra ver uma parte de uma tatuagem, me parecia ser um dragão, talvez, não dava pra ver direito.

O homem brincava com seu labrador na beira do mar, o cão parecia fascinado com o vai-vem do mar, tentava a todo momento pegar as ondas que se diluíam em suas patinhas. Por mais que eu estivesse tentando, por mais que eu buscasse, parecia que sempre aparecia algo pra não me deixar continuar, parecia um quebra-cabeça com as peças certas, mas por algum motivo elas não conseguiam se encaixar, por algum motivo eu não conseguia mais nem enxergar a imagem que aquelas peças formavam. Sentei bem perto de onde aquele homem e seu labrador se divertiam, passei o resto da tarde observando aqueles dois, quando o sol já ia embora o cão sentou ao meu lado e ficou observando o mar, o homem fez o mesmo, nós três continuamos lá, em silêncio, buscando no mar a resposta e a coragem para achar o que estava perdido. 

Extra! Extra, Capsula de Banca ao som de Harlem Shake:

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